Cartola 70 Anos 1979, LP - RCA Victor

Cartola 70 Anos - 1979, LP - RCA Victor 103.0278

álbum.0096 Cartola 70 Anos - 1979, LP - RCA Victor 103.0278Embora esteja ligado ao morro da Mangueira desde a sua meninice, convivendo com aquela gente sofrida, mas que, assim mesmo carregando lata d’água na cabeça numa perfeição de equilíbrio capaz de suplantar qualquer artista circense, não se deixa abater, “não chora miséria”.

Cartola não é apenas uma sambista de morro. Seus sambas não se restringem a versejar a dureza, a aspereza do cotidiano daqueles “alpinistas” que escalam caminhos íngremes para chegar aos seus barracos, casebres, quase cai-não-cai, de cobertura esburacada, parecendo que, de propósito, para permitir que a lua possa pontilhar de estrelas o chão de terra batida. […]

Do mesmo modo sendo ele um dos iniciadores da famosa escola de samba Estação Primeira, tantas vezes vitoriosa, também não se restringia a ser tão somente um compositor de escola de samba. A amplitude de sua veia poética, a versatilidade fácil de ser constatada no rol de sua bagagem musical onde, sem esforço são encontrados verdadeiros louvores de poesia espontânea, surgidos sem rebuscamentos literários, exige que não os condicionemos resumidamente ao morro que o venera ou a escola verde-e-rosa que ele ajudou a nascer e a ela continua por toda a vida. Cartola é, pois, um poeta amplo, versátil, de grande força lírica.

Quando um conhecedor de nossa música popular, o Lúcio Rangel, o proclamou ‘Divino’, não estava fazendo um gratuito e inconsequente elogio. A qualificação, a divinização era inteiramente de sólida justiça. Para fácil comprovação apanha-se ao acaso esses versos: “Fita os meus olhos/ vê como eles falam/ como eles reparam/ o teu proceder” Ou então este: “Quando ela parou/ acenou com a mão e desapareceu/ Fiquei certo que o nosso amor morreu…

Muitos outros exemplos colhidos ao acaso e propositadamente não muito recentes são encontrados nas muitas composições de Cartola. Todas provam, sem esforço, a grandiosidade, a força poética de Angenor de Oliveira, do “Divino” Cartola. Há muitos anos, e para documentar perfeitamente na noite de 26 de janeiro de 1937 num concurso realizado na Feira de Amostras que estava em exibição houve por iniciativa do Departamento de Turismo, um concurso que pôs em confronto os compositores das escolas de samba. Cartola foi o vencedor. Ganhou uma bonita medalha de ouro. Dias depois, um dos membros da comissão julgadora, o conhecido cronista Henrique Pongeti, conhecido com o seu pseudônio Jack, escreveu para “O Globo” “De todo aquele desperdício de bossas, dois sambas bonitos adquiriram o direito de viver e morrer nas bocas volúveis da plateia – os de Cartola, compositor da Mangueira, nenhum mais.”

Cartola continua agora, mais de quarenta anos passados, fazendo sambas de muita ternura, cheios de poesia que toda a plateia aplaude e canta, glorificando “o Divino”.

Jota Elegê

CARTOLA 70 ANOS – FAIXAS:

A1. O Inverno do Meu Tempo
Cartola/Roberto Nascimento

A2. A Cor da Esperança
Cartola/Roberto Nascimento

A3. Feriado na Roça
Cartola

A4. Ciência e Arte
Cartola/Carlos Cachaça

A5. Senões
Cartola/Nuno Veloso

A6. Mesma Estória
Cartola/Élton Medeiros


B1. Fim de Estrada
Cartola

B2. Enquanto Deus Consentir
Cartola

B3. Dê-me Graças, Senhora
Cartola/Cláudio Jorge

B4. Evite Meu Amor
Cartola

B5. Silêncio de um Cipreste
Cartola/Carlos Cachaça

B6. Bem Feito
Cartola

Fontes:

  • Textos: Contracapa do LP;
  • Áudios: Cartola 70 Anos – 1979, LP – RCA Victor 103.0278 / Formato mp3/320Kbps;

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