Nova História da Música Popular Brasileira – Cartola 1977, LP - Abril Cultural HMPB 18

Nova História da Música Popular Brasileira - Cartola 1977, LP - Abril Cultural HMPB 18

Nova História da Música Popular Brasileira - Cartola 1977, LP - Abril Cultural HMPB 18A Coleção História da Música Popular Brasileira, produzida e lançada pela Abril Cultural, um ramo da Editora Abril, composta por fascículos contendo parte editorial, com textos críticos e biográficos, e fonográfica, com disco de canções do focalizado, com os intérpretes mais expressivos, e muitas vezes com gravações feitas especialmente para a Coleção.

Ademais, contou com o assessoramento de críticos musicais, músicos, jornalistas e pesquisadores da música popular brasileira. […]

A Coleção lançou estratégias, às quais estavam em confluência com a indústria fonográfica. Mas, em contrapartida, também privilegiou artistas que estavam fora dos interesses mercadológicos e/ou não eram os melhores intérpretes para suas músicas, mas que mereciam figurar nos anais da nossa música popular, ou até mesmo pelo caráter histórico da gravação.

A Coleção serviu-se dos ditames mercantis da indústria fonográfica, interessada em resgatar nomes de seus catálogos, bem como dar voz àqueles novos artistas que surgiam e precisavam de algum chamariz para suas carreiras. Além de privilegiar as gravadoras que estavam em destaque no mercado.

Vanessa Pironato Milani

REPERTÓRIO

DIVINA DAMA (Cartola), com Francisco Alves e orquestra da Odeon. Da gravação original, feita em 14 de março de 1934, disco Odeon n.° 10977.

Direitos autorais de Mangione & Filhos e Sinfobrás.

Cartola considera ‘Divina Dama‘ sua melhor composição. Conta o sambista que em um carnaval, na Escola de Samba de Ramos, conheceu uma jovem e com ela dançou a noite toda. Ao fim do baile descobriu que ela era noiva de outro. No dia seguinte, uma quarta-feira de cinzas, Cartola compôs este samba para ela.

Francisco Alves, pressentindo os lucros polpudos e rápidos, que a música popular poderia oferecer, procurava compositores novos e bons, e um deles foi Cartola. O autor cedeu, em 1932, ‘Divina Dama‘ a Chico Alves por 300 mil réis. É inegável a contribuição do cantor à música, nunca desmentida pelo próprio Cartola.

O SOL NASCERÁ (Cartola e Elton Medeiros), com Nara Leão e conjunto sob a direção de Gaya. Orquestração e arranjo de Gaya. Do LP Elenco, n° ME 10, gravado em setembro de 1964.

Direitos autorais de Edições Euterpe Ltda.

Esta é a composição mais popular de Cartola. Surgiu em disco nesta interpretação de Nara Leão — quer teve também o mérito de redescobrir o sambista —, merecendo posteriormente um excelente registro de Elis Regina e Jair Rodrigues.

Divulgada por dezenas de gravações de grandes intérpretes e conjuntos musicais, o sucesso desta música é devido, em boa parte, à força de sua linha melódica. Alguns críticos consideram que ‘O Sol Nascerá‘ representa um feito definitivo dentro da música popular brasileira.

Não se sabe exatamente até que ponto vai a contribuição de Élton Medeiros; com toda certeza sua presença está marcada na revisão melódico-poética da composição.

TIVE, SIM (Cartola), com Cyro Monteiro e conjunto da RCA Victor. Da gravação original feita em 20 de junho de 1968 para o LP RCA-Victor n° CALB 5178.

Direitos autorais de Editora Musical Ltda (Musibrás).

Com este samba, defendido pelo próprio Cyro Monteiro, Cartola classificou-se na I Bienal do Samba, realizada em São Paulo, em 1968. Tendo como concorrentes ‘Lapinha‘ (o samba vencedor, de Baden Powell), ‘Canto Chorado‘ (Billy Blanco), ‘Coisas do Mundo, Minha Nega‘ (Paulinho da Viola) e ‘Bom Tempo‘ (Chico Buarque), conquistou aplausos entusiasmados da crítica e do público. Mais uma vez, a linha melódica emergia como o ponto forte da composição, enquanto o desenvolvimento poético mantinha-se em modesto segundo plano.

PRECONCEITO (Cartola), com Cartola e o Conjunto Regional de José Menezes e Canhoto, com destaque para Raul de Barros ao trombone. Da gravação original RCA-Victor, feita em 26 de outubro de 1970, especialmente para a primeira edição desta coleção. A mesma gravação foi incluída no LP da RCA Victor, n.° 1070138, lançado em julho de 1973.

Direitos autorais de Edições Euterpe Ltda.

Como de hábito, Cartola sublinha o texto com uma condução melódica vigorosa e solta, chegando a um resultado de ótima qualidade. Cartola, como cantor, sempre limitou-se apenas a tomar parte em coros para gravações de outros cantores. Como única exceção, o registro efetuado para o Maestro Leopold Stokowski do samba ‘Quem Me Vê Sorrir‘ (parceria com Carlos Cachaça).

Mesmo assim, tal disco nunca foi lançado no Brasil, o que torna esta faixa um registro de alto valor histórico, por ser o primeiro com a voz do próprio autor. Mais tarde (1974 e 1976), Cartola gravaria, na Discos Marcus Pereira, dois LPs, (19741976) ambos apenas com músicas de sua autoria.

NÃO QUERO MAIS AMAR À NINGUÉM (Cartola, Zé da Zilda e Carlos Cachaça), com Paulinho da Viola e orquestra Odeon, dirigida por Gaya. Orquestração de Gaya. Do LP Odeon, ‘Nervos de Aço‘, n.° SMOFB 3797, lançado em fevereiro de 1974.

Direitos autorais de Edições Musicais Marajoara Ltda.

Mais uma vez unidos, Cartola e Carlos Cachaça contavam desta vez com a colaboração de Zé da Zilda (o Zé com Fome ou José Gonçalves, morto em 1954 com 46 anos de idade).

Não Quero Mais Amar à Ninguém‘, na interpretação excepcional de Paulinho da Viola, é um samba que, na opinião de diversos críticos, é digno de uma antologia das maiores composições populares de todos os tempos. Por isso é de estranhar que tenha ficado ignorado do público por tanto tempo — fora composto por volta de 1935 e descoberto só em 1974, quando Paulinho da Viola ficou impressionado pela perfeição da condução melódica.

ACONTECE (Cartola), com Gal Costa. Arranjo de Perinho Albuquerque. Do LP Philips, n.° 6349108, gravado em 1974 e lançado em abril do mesmo ano.

Direitos autorais de Edições Musicais Marajoara Ltda.

Esta era uma das composições menos conhecidas de Cartola, até a magistral interpretação de Gal Costa. Apresentando-se no espetáculo Temporada de verão — onde a gravação do disco foi feita ao vivo —, ao lado de Caetano Veloso e Gilberto Gil, em Salvador, na Bahia, a cantora transformou a música em grande sucesso.

ALVORADA (Cartola, Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho), com Carlos Cachaça e Conjunto Regional dirigido por João de Aquino. Arranjo e orquestração de João de Aquino. Do LP Continental n.° 119405026 gravado em julho de 1976.

Direitos autorais de Duas Barras Editora Musical Ltda.

Alvorada‘ surpreende pela refinada elaboração de sua linha melódica, arcando de maneira bastante feliz com a responsabilidade de suportar o belíssimo discurso poético, muito provavelmente “alinhavado” por Hermínio.

Tão importante quanto a união de três excepcionais sambistas como Carlos Cachaça, Cartola e Hermínio Bello, é a presença de Carlos Moreira de Castro — o Carlos Cachaça — em seu primeiro disco como intérprete, depois de cerca de meio século atuando apenas como compositor. Essa oportunidade surgiu em um LP inteiramente dedicado a ele, o 21.° disco da “Série Cultural — Ídolos da MPB“.

O MUNDO É UM MOINHO (Cartola), com Cartola. Destaque para Altamiro Carrilho (flauta) e Guinga (violão), participantes do Conjunto Regional de acompanhamento. Do LP Marcus Pereira, n.° MPL 9325, lançado em outubro de 1976.

Direitos autorais de Edições Euterpe Ltda.

Mais uma vez, Cartola apresenta uma composição de excepcional beleza melódica. Deve-se lembrar que esta é uma das suas composições mais recentes, datada de 1975, incluída na gravação do segundo LP do sambista, depois do sucesso crítico que conseguira o primeiro disco de Cartola, também gravado pela Marcus Pereira em 1974.

FAIXAS

A1. Divina Dama
Cartola
p/ Francisco Alves

A2. O Sol Nascerá
Cartola/Élton Medeiros
p/ Nara Leão

A3. Tive Sim
Cartola
p/ Cyro Monteiro

A4. Preconceito
Cartola
p/ Cartola


B1. Não Quero Mais Amar a Ninguém
Cartola/Zé da Zilda/Carlos Cachaça
p/ Paulinho da Viola

B2. Acontece
Cartola
p/ Gal Costa

B3. Alvorada
Cartola/Carlos Cachaça/Hermínio Bello de Carvalho
p/ Carlos Cachaça

B4. O Mundo é um Moinho
Cartola
p/ Cartola

Fontes:

  • Texto/Imagens: Fascículo da Coleção;
  • Áudios: Nova História da Música Popular Brasileira – Cartola 1977, LP – Abril Cultural HMPB 18 / Formato mp3/320Kbps;

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1 pensamento em “Nova História da Música Popular Brasileira – Cartola 1977, LP - Abril Cultural HMPB 18

  1. Excelente obra! Tenho essa coleção, completa, colecionada pacientemente a cada quinzena durante quatro anos (1976 a 1980), fascículo por fasciculo. Curto-a ate hoje. Não troco, não vendo, não dou. Ficará comigo até o final dos tempos. Depois, o que tiver de ser, será.

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