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Wanderley Monteiro, 2013

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Consagração – Wanderley Monteiro, 2013
Independente, CD
por.: Marcelo Oliveira / 20 abr, 2017
Categoria(s).: Álbuns

“Olhem bem vocês, quando derem vez ao morro, toda a cidade vai cantar, vai sambar…”, já diziam Tom e Vinícius.

Wanderley Monteiro. Enfim, uma bela voz do samba autêntico na zona sul do Rio de Janeiro.

“Batuque mestiço me envolve e me encanta; feliz de quem anda no chão de um povo que canta!”. Belíssima definição, essa, desse verso-poema de Toninho Nascimento (é água no mar, é maré cheia, mareia, mareia…”), já dizia ele e o parceiro Romildo, lá atrás, quando a cantora Clara Nunes abriu pra valer seu canto afro-brasileiro.

Agora, ele e outros companheiros, Luiz Carlos Máximo é um deles, em “Um sonho de Paz“; Délcio Carvalho (o poeta das melodias e acordes do cavaco de Dona Ivone Lara), vem junto, ajudando a voz de Wanderley Monteiro a pular os altos muros dos morros que separam a zona sul da zona norte, no nosso Leme tradicional, e depois transbordar sobre o Pão de Açúcar e o Cara de Cão e, dali, se espalhar por toda a cidade, principalmente de Madureira a Copacabana, que fala a língua do samba de raiz.

Para não negar faísca, nem fogo (” binga boa não falha “), Wanderley vem do Babilônia e Chapéu Mangueira, morros como aquele que deu alma à Verde e Rosa de Zica, Neuma e Cartola; Delegados; os Nelsons, Sargento e Cavaquinho; Mocinha e Neyde, porta-bandeiras; Jamelão, Darcy, Dirceu e Jurandir. Só pra dar uma leve palinha da gloriosa galeria dos bambas da Estação Primeira. A única diferença é que na Mangueira de Agenor e Padeirinho, tem Cartola, e a de Wanderley, tem chapéu. No mais, o samba é o mesmo.

Isso quer dizer que de samba, batuque e partido, a zona sul nunca foi carente, só lhe faltava uma voz legítima para dizê-lo.

Se alguém pensou que depois do ciclo virtuoso que nos trouxe Martinho, Paulinho, Nogueira, Lecy, Dona Ivone, Beth, Clara, Alcione, Arlindinho, Catimba, Wilson Moreira, Ney Lopes, Toco, Aragão, Zeca, Almir etc., e achou que “acabaram com a onça, o mato é nosso “, pode ter se enganado.

De repente, quando ninguém mais imaginava que desse mato não sairia coelho, exata e precisamente (pela tradição) de um morro da zona sul, começa-se a ouvir uma voz surpreendente, nova, forte, diferente e auto confiante, que em baixo trazia a assinatura de Wanderley Monteiro, sem nenhum daqueles apelidos artísticos muito comuns dos sambistas do morro.

Durante o doce tempo das inesquecíveis “Noites Cariocas”, como sensacionalmente mostrou Jacob dedilhando as cordas do seu mágico bandolim, a zona sul não tinha ainda uma voz pra se ouvir, no alto dos seus morros, hoje sim! Quer ver? É só dar um pinote lá em cima no Babilônia, pra ver como é que é!

Agora unem-se as vozes irmãs do samba, das zonas norte e sul. Essas vozes são a do lidere ícone da velha guarda da azul e branco de Paulo, Caetano e Rufino, chamada por todos de “Portela”, que terá nesse carnaval de 2012 essa fusão perfeita, uma vez que Monarco estará na avenida, e o mais velho cantando com sua voz quase irmã gêmea, mais jovem, o samba que Wanderley fez pra juntos mostrarem na avenida, pela primeira vez, Chapéu Mangueira e Babilônia, Oswaldo Cruze Madureira, a força que o samba tem.

Adelzon Alves
(encarte do CD)

1. Consagração
Wanderley Monteiro e Toninho Nascimento

2. Fuga de aparências
Chapinha do Samba da Vela (SP) e Wanderley Monteiro

3. Nada mais
Wanderley Monteiro e Moacyr Luz

4. Chico e Nonô
Pulinho do Ouro, Luiz Carlos Maximo e Wanderley Monteiro

5. Espelho da canção
Luiz Carlos Máximo e Wanderley Monteiro

6. Teatro da vida
Délcio Carvalho e Wanderley Monteiro

7. Número sete
Adilson Bispo e Wanderley Monteiro

8. Perfil
Carlinhos 7 Cordas, Wanderley Monteiro e Toninho Nascimento

9. Um sonho de paz
Luiz Carlos Máximo e Wanderley Monteiro

1O. Refletor das estrelas
Wanderley Monteiro e Luiz Carlos Máximo

11. Pout-pourri:
Meu limite
Wanderley Monteiro e Carlos Caetano
O que passou
Wanderley Monteiro e Ivan Mendes
Pra enganar a saudade
Beto Gago e Wanderley Monteiro

12. Em paralelo
Wanderley Monteiro, Ferreira e Fininho da Ruth

13. Telhado de vidro
Wanderley Monteiro

14. Rei da madrugada
Wanderley Monteiro e Luiz Carlos Máximo