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João Nogueira, 1974

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E Lá Vou Eu – João Nogueira, 1974
Odeon ‎- SMOFB 3843, LP
por.: Marcelo Oliveira / 21 abr, 2017
Categoria(s).: João Nogueira

“João Nogueira, pra mim, quando surgiu, já era mestre. João, ainda menino, ia pros ensaios da Portela ouvir Walter Rosa, Candeia, Casquinha e outros bambas, e mal sabia que seria um deles. Alguns anos depois veio seu primeiro sucesso, que sem pretensão dizia o seguinte: sou mestre e não sinto cansaço, e a minha corrente é de aço, se quer ser feliz cante comigo também.

Um dia Natal, presidente da Portela, ouviu um outro samba de João Nogueira, em sua homenagem, chamado “O HOMEM DE UM BRAÇO SÓ”, e daí a primeira confirmação de João como mestre. Aqueles que ele admirava quando menino, convidaram-no para integrar a ala dos compositores da Portela. Ele aceitou e respondeu: hoje, eu estou cheio de alegria, e sou até capaz de me embriagar, uns amigos bambas nesse dia, me convidaram a participar de uma escola de samba que é todo meu dengo, de um terreiro de bambas que é todo o meu mal, vou me mudar da tristeza e morar na beleza do seu carnaval. Gravação de Elizete Cardoso.

Outro acontecimento que presenciei, foi na casa de Donga. Lá estavam também João da Bahiana e Pixinguinha. Muita animação, Donga sambando apesar de sua avançada idade, quando alguém, em voz alta, chamou por João Nogueira. Pixinguinha mandou chamar João á sua presença e abraçando-o emocionado, contou que fora amigo íntimo de seu pai, também João Nogueira, grande violonista da época de ouro da música popular brasileira.

Só esses dois acontecimentos são suficientes pra gente avaliar o peso e a importância de João Nogueira, na nossa música.

Como intérprete, apesar de não ter voz de cantor, como se costumava dizer, João é um caso, um capítulo a parte. Divide de maneira tal que ninguém, mesmo sabendo letra e música, não consegue cantar com ele, ouvindo suas gravações.

Estão participando desse disco, como autores e intérpretes: Paulo César Pinheiro, no “Partido Rico“, e Ivor Lancellotti na música “De Rosas e Coisas Amigas“.

Tem ainda o caso de duas músicas que ficaram prontas enquanto fazíamos o disco. E uma delas acabou sendo o título do LP: “E LÁ VOU EU“. A outra é “Eu Hein, Rosa!“.

Costumo dizer que esse disco está lançando um grande músico Joel do Bandolim. Basta ouvir “Braço de Boneca” e “De Rosas e Coisas Amigas” pra saber que a lacuna deixada por Jacob do Bandolim pode ser brevemente preenchida segundo o Dr. Roberto Feital, grande curtidor de pagodes nas bocas quentes e que as orquestrações do Geraldinho Vespar estão maravilhosas.

Detalhe também importante. A foto de capa foi tirada nas ruas de Vila Isabel, que tem as calçadas feitas com Pedras Portuguesas, desenhando as músicas de Noel na íntegra.

Está lá também o famoso “Gago Apaixonado“, que incluída nesse disco, a qual João Nogueira dá uma interpretação com o máximo possível de semelhança a inesquecível gravação do próprio Noel Rosa.

Adelzon Alves
(texto contracapa do LP)

Lado 1

E LA VOU EU (Mensageiro) (3’21)
(João Nogueira-Paulo Cesar Pinheiro)

BATENDO A PORTA (2’21)
(João Nogueira-Paulo Cesar Pinheiro)

SONHO DE BAMBA (3’14)
(João Nogueira)

MEU CANTO SEM PAZ (2’55)
(João Nogueira-Gina Nogueira)

DE ROSAS E COISAS AMIGAS (2’52)
(Ivor Lancellotti) part. Ivor Lancellotti

EU HEIN, ROSA! (2’44)
(João Nogueira-Paulo Cesar Pinheiro)

Lado 2

DO JEITO OUE O REI MANDOU (3’08)
(João Nogueira-Zé Catimba)

PARTIDO RICO (2’44) part. Paulo C. Pinheiro
(João Nogueira-Paulo Cesar Pinheiro)

TEMPO A BESSA (2’46)
(João Nogueira)

BRAÇO DE BONECA (3’05)
(João Nogueira-Paulo Cesar Pinheiro)

GAGO APAIXONADO (2’21)
(Noel Rosa)

EU SEI PORTELA (3’14)
(João Nogueira-Gina Nogueira)

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