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Heitor dos Prazêres e sua Gente, 1955 – Macumba

9 maio, 2017 | Álbuns

Toda gente sabe que na Praça Onze, nasceu e cresceu o samba carioca. Está cantada em vários versos a saudade que deixou aquele canto, quando o progresso velo raspando o seu aconchêgo, alargando as suas ruas, fazendo novo aquele lugar de ontem. Praça Onze quer dizer samba, quer dizer sambista nos dias de Carnaval e, foi na Praça Onze que cresceu essa figura de muitas arestas que é Heitor doa Prazêres. O pai era marceneiro de profissão, mas tocava clarineta e caixa na banda da Policia Militar. Quando há música dentro de casa, os filhos que são espelhos na música se enterram e músicos se tornam. Heitor dos Prazêres imitou o velho Eduardo Prazêres aprendendo o oficio de envernizador e catucando de quando em vez um cavaquinho chorão. Ia crescendo dentro de uma magresa que guarda até hoje, mas já ouvindo “choramingar” os primeiros chôros dos carnavais cariocas e os sambas da Tia Chata. Quem virasse a boemia da Praça Onze e do Mangue haveria de ver um negrinho, simples mas caprichoso, calado mas de ôlho multo vivo, repinicando um cavaquinho sonóro. Foi criando nome, foi virando figura, foi sendo presença nas festas alegres que os Carnavais antecipavam, bem como as festas santas dos terreiros dos pais de santo: Tio Mauricio. João Alabá, Tio Jonas, Tia Madalena, Tio Abedé, Tia Eva e outros.

Heitor dos Prazeres é o criador da chamada “Escola de Samba”, hoje tão em moda nos programas de rádio, nos “shows” de “boites” nas apresentações variadas onde se queira dar autenticidade a nossa música popular. Tendo nos dias presentes uma bagagem musical multo grande, Heitor dos Prazêres não ficou apenas no terreno da música. Sua alma de artista o empurrou para mais longe e outra vez o tempo, seu velho amigo, o elegeu como um dos melhores e mais completos pintores primitivos da nossa terra. Tendo quadros expostos nos museus dos Estados Unidos e da Europa, detém Heitor, ainda uma infinidade da prêmios. Seus temas ingênuos, como a gente do morro, coloridos e belos como os Carnavais da Praça Onze, são como a capa que ilustra êste L. P. que a “Radio” em bôa, hora resolveu tornar realidade. Menino nascido, e crescido onde o samba tinha seu berço, Heitor foi das noites de Sinhô e de Noel, dos acordes de um samba mais nosso, samba que aos poucos vai querendo empinar para cantos estranhos.

O que é Macumba

Macumba, na linguagem popular, é uma dansa de origem Africana, cujo ritual é de Angola e com fundo religioso.

As suas canções, representam orações que elevam, com o som de seus batuques e ritmo, espiritualmente, as preces aos Orixás, que são os seus protetores.

Por exemplo: Jesus Cristo — OXALÁ; N. S. da Conceição — OXUM; Santa Bárbara — INHANSSAM; S. Jorge — OGUM; S. Jerônimo — XANGÓ, etc.

O pai de Santo é um sacerdote, homem ou mulher, com conhecimentos profundos do ritual, sendo acatado como o chefe do ambiente, ou melhor do terreiro, como é conhecido. O pai de Santo tem como seus auxiliares os cambônos e as sambas. Cambônos são os tocadores de Atabakes, que são os tambôres, enquanto que as Sambas são suas auxiliares atendentes.

* textos fielmente transcritos da contracapa do LP
** imagem do topo: HEITOR DOS PRAZERES TEMA: SAMBISTAS E PASSISTA

Face A

TÁ REZANDO — Heitor dos Prazêres
QUEM É FILHO DE UMBANDA — Heitor dos Prazêres
VEM DE ARUANDA — Heitor dos Prazêres e Kaumer Teixeira
NÊGO VÉIO — Heitor dos Prazêres

Face B

MAMÃE OXUM — Heitor dos Prazêres e Jacyra Araujo
SEGURA A PEMBA — Heitor dos Prazêres
VEM CÁ MUCAMBA — Heitor dos Prazêres
DOM MIGUÉ — Heitor dos Prazêres e Kaumer Teixeira