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Deixa Falar

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História das Escolas de Samba – Vol. 1 – Deixa Falar – 1975
Som Livre - 8-03-401-001, LP
por.: Marcelo Oliveira / 25 abr, 2017
Categoria(s).: Álbuns

A MALANDRAGEM (Alcebíades Barcelos e Francisco Alves) — Primeiro música de um compositor de escola de samba a ser gravada, foi um dos grandes sucessos de Francisco Alves nos últimos anos do década de 20 (gravação de 1927: Odeon — 10.113-B). Embora Alcebíades Barcelos, o Bide, afirme em seu depoimento que abre o disco que acompanha este fascículo ter apenas concedido parceria o Francisco Alves, o fato é que, no disco original, aparece apenos o nome do cantor como autor.

Na discografia de Francisco Alves elaborada pelo crítico e historiador Ary Vasconcelos, A MALANDRAGEM está com o nome dos dois. E na relação de 150 mil músicas brasileiras feito pelo Serviço de Direito Autoral (reunindo músicas da UBC, SBACEM e SADEMBRA) não consta A MALANDRAGEM.

O depoimento de Bide que abre o disco colhido em outubro de 1974, em sua própria casa, num aparelho cassete, em meio aos ruídos normais da casa. Em abril de 1975, ele morreu.
Interprete MÁRCIO LAOTTI

EXALTAÇÃO A TIRADENTES (Mano Décio do Viola, Penteado e Stanislow Silva) — Foi o primeiro samba-enredo o ultrapassar os limites da escola de samba, espalhando-se pelo cidade antes mesmo de sua primeiro gravação, para o carnaval de 1956, por Roberto Silva. Cantado pelo império Serrano no carnaval de 1949, EXALTAÇÃO A TIRADENTES é considerado um clássico do samba-enredo. Num depoimento gravado que prestou ao autor destes fascículos, o compositor Mano Décio do Viola contou que o samba marcou o seu ingresso na Escola de Samba Império Serrano, na qual deveria ter entrado no ano anterior — o primeiro de vida do escola. Disse ele:

— O pessoal da Serrinha (da Escola de Samba Prazer da Serrinha) começou o ficar chateado comigo, mas acabei indo mesmo paro o Império. Logo no primeiro ano, eu e Silas de Oliveira fizemos um samba para o enredo TIRADENTES que não foi aceito. Fizemos três sambas e nenhum foi aceito. Aí, num domingo, fui pra cosa e dormi. E, sonhei que estava cantando uma música. Sonhando mesmo. Aí, acordei a mulher: “Noca, levanta.” Ela perguntou: “Levanta pra quê?” E comecei cantar, pedindo a ela para fazer coro comigo. Na segunda-feira, nem fui trabalhar. Fui para a feira comprar peixe e fiz o almoço. Mais tarde, veio lá em casa o Rubem Pepé, que tocava violão. Depois apareceu o Vinte e Oito, foi chegando o Molequinho. Peguei um livro do primeiro ano ginasial de minha filha e foi nascendo o samba TIRADENTES. Faltava o segunda parte. Aí me lembrei do Penteado. Ele tinha um samba com uma primeira parte fraca mas a segunda muito boa. Quando foi ali por volta das cinco horas, Penteado foi passando e viu aquela rapaziada toda lá em casa. E como ele é muito ciúmento chamei: “Vem cá, compadre!” Ele respondeu: “O pessoal está reunido, o que é que eu vou fazer aí?” Eu disse: “Mas tem lugar pra você também.” Foi chegando todo ressabiado e quando encostou, nós cantamos a primeira parte do samba que eu tinha feito. Ele escutou, nós repetimos. Quando ele foi tomando gosto, eu joguei uma pedra em cima dele: “Se você jogar aquela segunda, vê se casa com a primeira.” Ele tremeu, cantei, mandei cantar outra vez e, de repente, perguntei: “Pode ficar essa segunda, não pode?” Quando ele autorizou, eu falei: “Está pronto o samba.” Levamos o samba, para o primeiro ensaio da quinta-feira. O Império ganhou alma nova.”
Interprete JORGE GOULART

MARTIM CERÊRÊ (Zé Catimba e Gibi) — Samba-enredo da Escola de Samba imperatriz Leopoldinense de 1971, acabou se transformando em trilha sonora da novela BANDEIRA DOIS, cujas cenas muitas vezes se passavam numa quadra de escola de samba. Havia, inclusive, um personagem na novela com o nome de Zé Catimba, o mesmo de um dos autores do samba.
Interprete ZÉ CATIMBA

PRIMEIRA ESCOLA (Pereira Matos e Joel de Almeida) — Um samba muito importante pelos informações contidas n© letra, fazendo uma pequena história das escolas de samba.
Intérprete JORGE GOULART

NA PAVUNA (Almirante e Candoca da Anunciação) — Lançada para o carnaval do 1930 pela Parlofon com o Bando dos Tongarás foi a primeira música a usar o ritmo das escolas de samba num estúdio.

Condoca do Anunciação (pseudônimo do violoncelista e professor de Música do Colégio Pedro II, Homero Dornellas) fez a primeiro parte o encarregou Almirante (Henrique Forreis Domingues) de fazer a segunda. Conta Almirante me seu livro NO TEMPO DE NOEL ROSA: “Concluído o samba e apresentado aos companheiros do Bando dos Tangarás, surgiu logo a idéia do levá-lo para os discos, do maneira suigeneris, até então jamais tentada na história das gravações no Brasil: o NA PAVUNA seria gravado com a batucada própria das escolas do samba, Arrebanhamos alguns tocadores de tamborins, cuícas, surdos e pandeiros, entre aqueles adeptos de vários mestres na matéria. Seus nomes, entretanto, alguns nem fixamos. Um deles tinha o apelido de Andaraí, preto forte, tão compenetrado em seu instrumento que tocava tamborim do olhos fechados, como em êxtase. Outro se tornou conhecido como Canuto, preto, magro, alto, calmo, afinadissimo, e que cantava baixinho, com “sentimento profundo”, segundo ele mesmo declarava, era lustrador de móveis e nascera com um nome pomposo — Deocleciano da Silva Paranhos.”
Intérprete LUIZ CARLOS ISMAIL

O MUNDO ENCANTADO DE MONTElRO LOBATO (Batista, Darcy da Mangueira e Luiz) — Samba-enredo também da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira (1957), tem o seu pioneirismo: foi o que introduziu o samba-enredo no consumo. A gravação feito pelo cantora Eliana Pitman foi muito executado pelos estações de rádio e vendeu muitos discos — fato inédito num samba-enredo. A partir dele, esse tipo de samba passou a ser mais gravado e acabou por se transformar numa das certezas de sucesso.
Intérprete JORGE GOULART

Lado A

  1. DEPOIMENTO DE ALCEBIADES BARCELOS (BIDE)
  2. MALANDRAGEM – MÁRCIO LOTT
    (Bide – F.Alves)
  3. EXALTASÃO A TIRADENTES – JORGE GOULART
    (Estanislau Silva – Decio A. Carlos – Penteado)
  4. MARTIM CERÊRÊ – ZÉ CATIMBA
    (Zé Catimba – Gibi)

Lado B

  1. DEPOIMENTO DE ISMAEL SILVA
  2. PRIMEIRA ESCOLA – JORGE GOULART
    (Pereira Mattos – Joel de Almeida)
  3. NA PAVUNA – LUIZ CARLOS ISMAIL
    (Candoca da Anunciação – Almirante)
  4. O MUNDO ENCANTADO DE MONTEIRO LOBATO – JORGE GOULART
    (B. da Mangueira – Darcy – Luiz)