Por Força do Hábito Jamelão 2000, CD - Som Livre 4248 2

Por Força do Hábito - Jamelão 2000, CD - Som LivreAlbino Pinheiro, diretor de dezenas de espetáculos de Jamelão, costumava contar que o cantor frequentemente lhe fazia não a queixa mas o registro de que o público não permitia show seu sem pelo menos duas ou três peças de Lupicínio Rodrigues e o clássico samba-canção ‘Folha Morta’, de Ari Barroso.

Há três anos sem gravar, o astro mangueirense volta agora ao disco, com um CD que procura deixar de lado a obra dos dois compositores. Em vão, quanto a Lupicínio, uma sombra que envolve todo o trabalho. ‘Por Força do Hábito’, por exemplo, a faixa-título, de autoria de José Bispo (o próprio Jamelão: José Bispo Clementino dos Santos) e Luís Antônio Xavier, poderia perfeitamente ser assinada pelo poeta gaúcho, tal a feição “Lupiciniana” que a molda, conforme testemunham, entre tantos, estes versos finais: “Por força do hábito/ Ainda ponho dois pratos à mesa/ Um para mim, um pra dona tristeza/ Companheira que em casa surgiu. […]

Jamelão está escoltado pela Orquestra Tabajara, de Severino Araújo. Essa é uma constante em sua carreira e configura um acoplamento perfeito, uma espécie de liga de ouro e diamante de nossa música popular. É uma história longa: Jamelão já era crooner da orquestra quando ela deu um memorável banho na big band americana de Tommy Dorsey, num duelo musical que marcou os primórdios da TV no Brasil, há meio século.

Com os músicos de Severino acompanhando-o, brilhou numa das festas inesquecíveis do milênio, o famoso baile do Castelo de Coberville, nos arredores de Paris, promovido em 1952 pelo estilista francês Jacques Fath para apresentação do algodão brasileiro à alta-costura Europeia. Entre os convidados, declararam-se conquistados pela voz do cantor o cineasta Orson Welles e o ator Jean-Louis Barrault.

Na volta, depois de um mês e de muitos convites recusados na Europa, orquestra e crooner foram a Porto Alegre. É a partir daí que Lupicínio Rodrigues entra no repertório de ambos. Essa aproximação renderia alguns dos mais felizes momentos de interpretação do cancioneiro brasileiro, e uma síntese preciosa dessa empatia está no refinado LP de 1972 no qual Jamelão estabelece, com arranjos de Severino, formas definitivas para vários dos grandes sucessos do compositor sulino.

A Orquestra Tabajara já não é a mesma de quando Jamelão começou (eram os tempos de lendas como Zé Bodega no sax tenor, José Leocádio no trombone e K-ximbinho no clarinete) e Severino Araújo poupa-se ostensivamente – vale a contradição em termos – como solista.

Jamelão já vai fazer 90 anos (completou 87 a 12 de maio último). Mas exibem – com toda a restrição que se possa fazer a boa parte do repertório, no qual, ainda assim, faixas como ‘Armadilha do Amor’ e ‘Suborno’, ambas de Alberto Gino, compositor que quase monopoliza o disco, têm bela feitura melódica – a qualidade e o vigor das coisas eternas.

A orquestra mantém o punch, o impacto inigualável. Jamelão é a mesma voz instintiva, límpida, naturalmente volumosa, em perfeita harmonia com os metais, dona do raro poder de transmitir o mais profundo do canto.

MOACYR ANDRADE

FAIXA:

01. Por Força do Hábito
José Bispo/Luis Antônio Xavier

02. Mal de Amor
Alberto Gino

03. Não Abuse Não
Alberto Gino

04. Viver Com Você em Sonho
Anselmo Mazzoni/Victor Hugo

05. Direito de Ir e Vir
Alberto Gino

06. Beijo Molhado
Alberto Gino

07. Quanta Gente Aí
Alberto Gino

08. Armadilhas do Amor
Alberto Gino/Valéria Brum

09. Êxtase
Alberto Gino

10. Não Vou Mudar
Alberto Gino

11. Amor Selvagem
Alberto Gino

12. Suborno
Alberto Gino

13. Nada Mudou de Lugar
Alberto Gino

14. Tempo de Amor
Alberto Gino/Valéria Brum

Fonte:

  • Áudios: Por Força do Hábito – Jamelão 2000, CD – Som Livre 4248 2 / Formato mp3/128Kbps;

Relacionados:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *