Mercadores e Suas Tradições Mangueira, 1969

Mercadores e Suas Tradições - Mangueira 1969

Mercadores e Suas Tradições - Mangueira 1969Mangueira não se subdividiu

Com as eleições na Escola no ano passado, a Mangueira só pode iniciar em julho os seus trabalhos para o Carnaval de 1969. A antiga diretoria foi reeleita e fomos chamados novamente para presidir a Comissão de Carnaval.

Formada a equipe, com Ciro, Aristóteles, Célio e Dácio, cada um recebeu uma incumbência e o objetivo foi o mesmo dos dois anos anteriores: não se mudou nada que havia conseguido a nota máxima.

Assim, Neide e Delegado continuam como os primeiros Porta-Bandeira e Mestre-Sala; Julinho Matos, vencedor durante seis anos consecutivos de figurinista de fantasia, voltou a arcar com essa responsabilidade; Mestre Valdemiro dirigirá a Bateria; Xangô a Harmonia; e a Ala dos Duques prosseguirá como Comissão de Frente. […]

Samba-Enredo

Autores: Hélio Turco/Darci/Jurandir

Abriu-se
A cortina do passado
Neste palco iluminado
Onde tudo é carnaval
Vamos recordar
Nesta grande apoteose
Uma história triunfal
Brasil dos mercadores
Aventureiros e sonhadores
Que desbravaram o sertão
Deste imenso rincão

Foi tão sublime
O ideal dos pioneiros
Bandeirantes de um progresso
Soberano e altaneiro

Na imensidão de nossas matas
Cachoeiras e cascatas
Fontes de riquezas naturais
Era extraido o tesouro
Onde imperava o ouro
E os verdes canaviais
Em vila rica os mercadores
Ostentavam seus brasões
Nos elegantes salões
Longe ao longe então se ouvia
A suave sinfonia
Dos mascates em pregões

Glória a estes bravos
Que lutaram por um ideal
E conseguiram conquistar
As riquezas do Brasil colonial

Até mesmo a estrutura e a organização do desfile foi mantida. Como a Mangueira cresceu muito, fomos obrigador a fazer um trabalho mais detalhado e técnico com respeito ao desfile. De 4.800 sambistas passamos para 6 mil. Isso poderia provocar um transtorno para os diretores de Harmonia organizarem a Escola na Avenida Presidente Vargas.

No entanto, decidimos não aumentar o número de alas e sim o grupo de componentes em cada uma delas. A Mangueira não se subdividiu. Hoje, a Bateria conta com 365 pessoas, quando anteriormente normal era de 185. As baianas elevaram de 200 para 350 o seu número e as outras Alas, cuja a média de participantes era de 15, passou a ser de 20.

Voltamos também a usar o enredo didático, porque entendemos que é a melhor maneira de explicar ao público e aos juízes a história que apresentamos. Inicialmente o enredo em mente era “Essa Nêga Fulô”, mas por motivos técnicos, fomos obrigados a optar por “MERCADORES E SUAS TRADIÇÕES” de autoria do jornalista Agostinho Seixas.

Em rápidas pinceladas, foram essas as ideias da Comissão de Carnaval. O objetivo, é fazer uma melhor apresentação da Mangueira para o povo e a imprensa, que sempre nos prestigiaram. O trabalho, foram noites e noites sem dormir, com afazeres ou preocupações. Mas, a Mangueira está aí e precisa da seu incentivo para conquistar o tricampeonato.

Djalma dos Santos
Presidente da Comissão de Carnaval

P.S. Áudio do LP: Festival de Samba Gravado ao Vivo Vol. 2 – Sambas Enrêdo das Escolas de Samba (1969, Relevo)

P.S. Imagens acima: capa da Revista Estação Primeira de Mangueira – Carnaval 1969; Carlinhos “Pandeiro de Ouro” desfilando pela Escola. (fonte: Marcelo O’Reilly/Acadêmia do Samba)

P.S. áudio formato mp3/128Kbps

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