Um Cântico á Natureza Mangueira, 1970

Um Cântico á Natureza - Mangueira 1970

Um Cântico á Natureza - Mangueira 1970A Estação Primeira da Mangueira resolveu este ano mudar o estilo de apresentação de seu enredo. Graças à ideia de Augusto de Almeida, cenógrafo da Escola, e da montagem do Diretor de Harmonia Jorge Zacarias, escolhemos um tenta que exalta a própria vida.

“Um Cântico à Natureza” é a mistura da beleza poética de nosso país ao som do que temos de mais puro e nativo, o ritmo do samba. A natureza, tão decantada em prosa e versos, fonte inspiradora de poetas e compositores, é representada hoje pelos sambistas da Mangueira.

A liberdade de sambar e contar as riquezas do Brasil foi a preocupação da Estação Primeira. Por isso, abandonamos o chamado enredo didático, onde, para acompanhar com fidelidade a História e as épocas, muitas vezes os sambistas ficam tolhidos no desfile por representar vultos famosos ou figuras pitorescas. […]

Samba-Enredo

Autores: Ney/Aylton/Dilmo

I

Brilhou no céu o sol oh que beleza
Vem contemplar a natureza,
Vem abrasar a imensidão, imensidão…
Onde na pesca ou na plantação
Pedras preciosas ou mineração

Rios, cachoeiras e cascatas
Frutos, pássaros e matas
Enobrecem a nação

Oh lugar… oh lugar…
Tudo que se planta dá
Terra igual a esta não há

II

Imenso torrão de natureza incomum
Onde envaidece qualquer um

Praias e flores
Inspiram amores
E o petróleo te deu mais vida
Solo de vultos imortais
Direi teu nome e não esquecerão jamais

Oh pátria querida
De natureza tão sutil
Tens belezas mil
Isto é Brasil… isto é Brasil… isto é Brasil…

Neste enredo, procuramos mostrar o retrato fiel do Brasil que, por dádiva divina, a natureza nos proporcionou.

Desde o primeiro dia do seu descobrimento, nossa terra foi reverenciada por sua beleza natural. Já Pero Vaz de Caminha, em sua primeira carta a El-Rei de Portugal, dava conta da descoberta e revelava:

“- Esta terra, senhor, de ponta a ponta é toda praia … e muito formosa, e a terra, por todo o chão, é cheia de arvoredos. Em tal maneira é graciosa que, querendo aproveitar, dar-se-á nela tudo”.

Mais tarde, os próprios descobridores confirmaram a verdade profética do nosso primeiro cronista.

PERCORRENDO o Brasil de Norte a Sul e de Leste a Oeste, encontramos sempre a natureza vibrando em seu esplendor. São montanhas e planícies verdejantes, matas e campinas cobertas de flores, vivazes e multicores, qual matizes de um “Santo Pintor”.

São árvores vergadas ao peso das frutas deliciosas que se assemelham a pingentes de um interminável colar; são aves de penas exoticamente coloridas voejando em liberdade pelo límpido azul de nossos céus.

Os rios serpenteiam essas terras de imenso valor e beleza incomum. Ora plácidos e caudalosos, ora nervosos e borbulhantes, entre as pedras do seu leito, onde se esconde incomensurável riqueza de ouro e pedras preciosas. Por vezes, eles se despencam, ensurdecedores, em majestosas cachoeiras, formando um imenso potencial energético, ou em românticas cascatas.

EXALTAREMOS a flora brasileira, vibrantemente decantada por nossos poetas em toda a sua magnitude. Os campos floridos, os jardins dos amores, a selva inexplorada e as florestas com seus encantos misteriosos. As rosas, símbolo do amor; a fiel recordação dos miosótis; a sinceridade da gardênia; o reconhecimento da dália; a rivalidade do cravo; o ardor da orquídea; a fascinação do girassol; a inspiração da margarida; o capricho da hortencia; a fidelidade da violeta; a rudeza ingênua das flores silvestres; os frutos tropicais de inigualável sabor, que tanta admiração causam aos estrangeiros.

O ouro e as pedras preciosas que, atraindo a cobiça dos nossos colonizadores, levaram os Bandeirantes a se embrenharem, mata a dentro.

E foi nesta marcha pelos sertões brasileiros, que estenderam os limites do País até à configuração geográfica atual. Proporcionaram também o nascimento de uma sociedade toda própria, de fausto e riqueza desmedida, copiado, e até mesmo superando, o explorador da Côrte Portuguesa.

E foi esta sociedade, revelando o potencial de extraordinários recursos naturais do Pais aos brasileiros, que despertou, no nosso povo, o sentimento de nacionalidade e independência. Mais tarde, conseguimos também a independência economica, explorando as principais fontes de divisas do Brasil, como o café, o açúcar, o cacau, a carnaúba, o algodão, a madeira, o petróleo e muitos outros produtos.

P.S. Áudio do LP: Sambas-de-Enrêdo das Escolas de Samba ao Vivo – 1°Grupo (1970, LP – AESEG – Caravelle)

P.S. Imagens acima, Revista Estação Primeira de Mangueira – Carnaval 1970 (fonte: Marcelo O’Reilly/Acadêmia do Samba)

P.S. áudio formato mp3/128Kbps

Relacionados:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *