Os Modernos Bandeirantes Mangueira, 1971

Os Modernos Bandeirantes - Mangueira, 1971

Os Modernos Bandeirantes - Mangueira, 1971Ícaro, sonho milenar das priscas eras da tração animal e remotos tempos de sofrido ranger de rodas.

Século XVII. Passarola… Sonho-menino de Padre Voador. Então… Ícaro se fez Homem. E o Homem-Ícaro se fez Dumont e, em longínquas terras, entre soluços motorizados de explosão e brasílios suspiros de saudade, anunciou a “Aurora da Conquista do Ar”. E a Europa e o Mundo curvaram-se ante o Brasil. Depois… e depois. Ah, estes maravilhosos Homens com suas maravilhosas máquinas voadoras na Idade Heróica da Aviação, qual frágeis libélulas, conquistando as matas e os céus da Pátria, integrando cidades e sertões, unindo Vilas e Nações. Logo, a turbina dos jatos e enfim… o empuxo dos foguetes. […]

Samba-Enredo

Autores: Darcy da Mangueira/Hélio Turco/Jurandir

I

Boa noite meu Brasil
Saudações aos visitantes

Trago neste enredo
Fatos bem marcantes
Os modernos Bandeirantes

Do Oiapoque ao Chuí
Até o Sertão distante
O progresso foi se alastrando
Neste país gigante
No céu azul de anil
Orgulho no Brasil

Nossos pássaros de aço
Deixam o povo feliz
Ninguém segura mais este país

II

Busquei na minha imaginação
A mais sublime inspiração
Para exaltar
Aqueles que deram asas ao Brasil
Para no espaço ingressar
Ligando corações
O Correio Aéreo Nacional
Atravessando fronteiras
Cruzando todo o continente

E caminhando vai o meu Brasil
Para frente

Santos-Dumont
Hoje o mundo reconhece
Que você também merece
A glorificação

Agora… no Limiar da Era do Espaço, com o mesmo espírito de audácia e pioneirismo dos Bandeirantes de outrora, desbravadores de florestas. Modernos Bandeirantes de hoje, desbravando os caminhos do céu, rumam conscientes em direção ao futuro do Mundo refletido no futuro da Pátria. E em novas Bandeiras, na ciclópica marcha para o Oeste, em verdes pistas rasgadas na mitológica e agreste selva amazônica, forjam mais um elo que se une à grande cadeia de catequese e Integração Nacional. E possuídos pela mística dos pioneiros e tenacidade dos bravos, erguendo a nação para a epopéia. Modernos Bandeirantes de aves metálicas, juntam-se, com disciplinado comando, respondendo ao grande desafio. E vão, lenta e inexoravélmente, despertando do sono verde e secular, o gigante adormecido, transformando-o em Nova Canãa, no celeiro – Império de todas as Nações.

O Brasil-Grande e a Era Espacial

E hoje, quando o Homem realiza a primeira etapa da mais fantástica aventura dos séculos e diante do Cosmos, põe os pés no primeiro degrau que flutua no tapete negro-azulado do Universo, Modernos Bandeirantes de uma Nova Era, no anseio de formar a nova mentalidade do Homem brasileiro no rumo às estrelas, fazem o Brasil ocupar o seu lugar histórico no Concerto das Nações.

E já nos umbrais da selênica realidade, em venusiana expectativa, como fruto do espaço em que se movimentam os astros, no épico trabalho de pesquisa técnico-astronáutica e meteorológica, param… e escutam. E parecem ouvir na singeleza dos seus ouvidos de artificiais satélites e na frágil audição dos seus radares, uma voz.

Voz, que do ápice da galática escada, entre miríades estelares, revela e abrevia, na visão transcendental de constantes e fugidos sinais, o instante do GRANDE CONTATO COM A VERDADE… NA HORA DO INFINITO. E este Brasil, que é um país jovem, com sua história mais no futuro que no passado, está destinado a ser o Santuário da Iniciação do Gênero Humano, o Caminho da Sociedade futura, como o Berço de Uma Nova Civilização, o Berço de uma Nova Era.

“Ergue-te, Homem, do pó em que te arrastas
Levanta o teu olhar para mais além
Vês os milhões de estrelas que o céu tem?
SÃO OUTROS MUNDOS DE RAZÕES MAIS VASTAS”

P.S. texto da Revista – Mangueira Carnaval 1971

P.S. Áudio do LP: Sambas Enrêdo 1º Grupo 1971 / Gravação Original (1971, LP – AESEG) / áudio formato mp3/128Kbps

P.S. Imagens acima, Revista Estação Primeira de Mangueira – Carnaval 1971 (fonte: Marcelo O’Reilly/Acadêmia do Samba)

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