Panapanã, o Segredo do Amor Mangueira, 1977

Panapanã, o Segredo do Amor - Mangueira 1977

Panapanã, o Segredo do Amor - Mangueira 1977PANAPANÃ, O SEGREDO DO AMOR

O GRÊMIO RECREATIVO ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA apresenta-se em seu Carnaval-1977, com o Enredo inédito: PANAPANÃ, O SEGREDO DO AMOR.

O seu maior desejo, vontade também maior, da mais tradicional agremiação carnavalesca, é apontar o veio para todos quantos, dos vizinhos ou longínquos paradeiros, vindo para prestigiá-la com aplausos, das imagens e belezas que contêm as tradições que se podem chamar autóctones, inéditas no aproveitamento conjunto, até agora apenas sublimadas de per si, pela imaginação de alguns artistas populares. […]

Samba-Enredo

Autores: Jajá/Tantinho / Intérprete: Dirceu da Mangueira

Mangueira! Hoje em evolução
Cantando mostra com louvor
O mito em sua máxima expressão
Panapanã, o segredo do amor

Noite, inquietação transparência
No sussurro das matas
Onde o amor existia
No prateado arvoredo
Pressentindo o segredo
Aves com plangência se ouvia
E Jacy engalanada
Reinava até o raiar do dia

Lindo amanhecer!
Flores, terra, gente
Guaraci todo luzente
Dando a todos seu calor (para o amor)
Chuva, som de cachoeira
Iara toda faceira
Já surgia em seu esplendor

Uirapuru era pura alegria
Onde se via que da harmonia
Dos seres nasce o amor, ô, ô
Era lindo o ente alado
Em rodopio multicor
Era Rudá em pleno reinado
Mostrando que a força da vida
É o amor

(Mangueira!)

Desta forma, com arrojo, ao invés de se deter num aspecto de tradicional regionalismo, procurar mostrar senão todos, pelo menos os mais significativos mitos que o brasileiro tem como fabulário.

Aproveitados individualmente tem servido os mesmos como fonte de inspiração literária. Todos eles, entrelaçados, pelo maior sentimento, integram a estória contada adiante, que revela um segredo e a boa índole daqueles antecedentes que, mais do que em tudo, também acreditaram no amor.

Eis, portanto, em 1977, a Mangueira: – trazendo míticos elementos reais, diretamente obtidos e observados em nosso meio social, ainda que de remota origem, possibilita que as artes populares, entre elas a aperfeiçoada pelas Escolas de Samba, adquiram maior e mais transcendente espírito de universalidade humana.

INTRODUÇÃO

Contos populares?

Mitos?

Ou ambos, quando se trata de AMOR?

Conto e Mito!

E por que não, se o Mito resulta direta e primitivamente da transformação de elementos legendários em fábulas, sendo trabalho do espírito coletivo, espontâneo?

Ou Conto também, por até hoje – e a Mangueira prova – o Mito ecoa, graduado, acrescentado, como a transmissão lhe impôs.

Mito ou Conto, seja qual for a ordem, Conto ou Mito, o Amor subsiste e nele há um segredo: o da harmonia dos seres, do sentimento novo, do mesmo ressuscitado, daquele que com o tempo cresce, que faz parte do ser, que mesmo no esquecimento, morto ou vivo, oferece a imortalidade.

Homem-bicho…

Bicho-homem…

Homem-crente, no que crê…

Homem-homem…

Índio, branco, negro…

Brasil, terra grande de grande gente…

De Mito…

De humanidade…

O N D E   T A M B É M   O   A M O R   C R E S C E U

P.S. Textos e imagens acima, Revista Estação Primeira de Mangueira – Carnaval 1977 (fonte: Marcelo O’Reilly/Acadêmia do Samba)

P.S. Áudio do LP: Sambas de Enredo das Escolas de Samba do Grupo 1 Carnaval 1977 / LP – AESCRJ – Top Tape / áudio formato mp3/128Kbps

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