Dos Carroceiros do Imperador ao Palácio do Samba Mangueira, 1978

Dos Carroceiros do Imperador ao Palácio do Samba - Mangueira 1978

Dos Carroceiros do Imperador ao Palácio do Samba - Mangueira 1978Dos Carroceiros do Imperador ao Palácio do Samba é enredo vivido, através do tempo, pelo povo da Mangueira.

O primeiro carroceiro que, trabalhando no Paço Imperial, veio morar no Morro do Telégrafo iniciou a descrever a história poética “Do Mundo de zinco que é Mangueira”.

Um dia, quando os liteiras já eram símbolos de saudade, foi demolido o 9° Regimento de Cavalaria e na Mangueira vieram morar as famílias de militares e civis que foram despejados das pequenas casas que existiam na Quinta da Boa Vista. […]

Samba-Enredo

Autores: Rubens da Mangueira/Jurandir / Intérprete: Rubens da Mangueira

Trago para este carnaval
Um passado de grande valor
Quem descreve este tema
É o carroceiro do Imperador
Quantas saudades
Do famoso Marcelino
Foi um grande mestre sala
Desde os tempos de menino

Brigão e arruaceiro
Era o grande destaque
Do Bloco dos Arengueiros ôôô

Não posso esquecer
Buraco Quente, Santo Antônio e Chalé
E o ponto alto da Escola
Mestre Candinho, Tia Tomázia e Cartola
Chorava a viola
Em noite enluarada
Samba duro no Faria
Ia até de madrugada

Canto a minha história
De um celeiro de bamba
Cinquenta anos de glória
Estão no Palácio do Samba

Nos terreiros de Tia Tomázia, após os ritos religiosos, a viola chorava, ouvia-se o ritmo da batucada e o cantor dos compositores, isto na época em que “o morro malandro não descia e policia não sábia”.

Buraco Quente, Santo Antônio, Chalé, Pendura Saia e Faria eram os lugares da Mangueira onde, nas noites enluaradas as rodas de samba aconteciam até a madrugada.

O bailar das pipas empinadas pelas crianças, o sobe e desce das lavadeiras, o gingar dos malandros, as roupas dependuradas e os barracos multicores foram o cenário onde germinou a semente do samba.

O Rancho Príncipe Das Matas, que era verde e rosa, os Blocos de Julho, de Mestre Candinho e de Tia Tomázia já há muito nos carnavais desciam da Mangueira, quando um grupo de sambistas que não enjeitava brigas ou arruaças formou o Bloco dos Arengueiros.

Depois. em 1928, no dia 28 de abril, foi fundada a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, na casa de Joana Velha, mulher de Euclides, pai do João Cocada, numa reunião em que estavam, entre outros, Cartola, Marcelino, Zé Espineli e Saint Clair.

O primeiro Presidente da Escola foi Saturnino e o primeiro ensaio no terreiro da casa de Abelardo Bolhinha.

Atualmente, quanto os sucessores dos Carroceiros do Imperador já construíram o Palácio do Samba, a Estação Primeira do Mangueira, em 1978, apresenta o seu 50° Carnaval cantando o passado de glórias da Mangueira, da Mangueira que é um morro, que é uma Escola.

P.S. Textos e imagens (menor) acima, Revista Estação Primeira de Mangueira – Carnaval 1978 (fonte: Marcelo O’Reilly/Acadêmia do Samba)

P.S. Imagem do Topo, Cartola no desfile da Mangueira, 1978 (fonte: Agência O Globo – Anibal Philot)

P.S. Áudio do LP: Sambas de Enredo das Escolas de Samba do Grupo 1 Carnaval 78 – LP – AESEG – Top Tape / áudio formato mp3/128Kbps

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