De Nonô a JK Mangueira, 1981

De Nonô a JK - Mangueira 1981

De Nonô a JK - Mangueira 1981Com o samba-enredo composto por Jurandir, Comprido e Arroz, a Estação Primeira de Mangueira retoma a melhor tradição da elaboração de músicas do gênero. Contrariando a tendência dominante nas composições das escolas dc samba, esta criação da Mangueira não abriga a confusão de coisas sem nexo que invadiram os sambas-enredos desde que, seduzidos por um suposto amor ao folclore, os carnavalescos das escolas passaram a montar enredos baseados em mitos e lendas populares do interior do país.

O resultado desse folclorismo, a que nem a Mangueira permaneceu imune, foi que muitos sambas ficaram sem pé nem cabeça — uma espécie de samba do criolo doido ironizado por Stanislaw Ponte Preta, em que a Iara come a Cobra Grande, o Saci-Pererê se casa com Iemanjá, e por aí afora. […]

Samba-Enredo

Autores: Jurandir/Comprido/Arroz / Intérprete: Dirceu da Mangueira

Em verde e rosa
A Mangueira vem mostrar,
O fascinante tema
“De Nonô a JK”
Juscelino Kubistchek de Oliveira
De uma lendária cidade mineira,
O grande presidente popular
Surgiu “Nonô” em Diamantina
E uma chama divina
Iluminou sua formação

Subindo os degraus da glória,
Imortalizou-se na história,
Como chefe da nação, ôô
Como chefe da nação

Em sua marcha progressista,
O notável estadista
O planalto desbravou.
Brasília, o sonho dourado,
Que ele tanto acalentou.
Juscelino descansa na fazenda,
E os acordes de um violão
Levam ao povo a saudade,
Lembrado neste refrão:

Como pode o peixe vivo
Viver fora d’agua fria!
Como poderei viver!
Sem a tua – sem a tua
Sem a tua companhia?

A tradição do samba-enredo, porém, indica que o melhor é o mais simples, e não foi por outra razão que Tiradentes, de Mano Décio da Viola e Penteado, ainda é, 30 anos depois de sua criação, o mais belo, o mais completo e o mais permanente de todos os sambas de escolas, com aquela sua genial intuição de abrir a narração com dois versos formados pelo nome do personagem: “Joaquim José da Silva Xavier”.

Foi essa singeleza que Jurandir, Comprido e Arroz reencontraram, como é visível no quinto verso do tema ‘De Nonô a JK’, em que se pronuncia com sonora modulação o nome integral do personagem da história: “Juscelino Kubitschek de Oliveira”.

Com esse despojamento, a Mangueira pôde resumir em apenas 22 versos, completados pelo refrão do mineiríssimo ‘Peixe Vivo’, o perfil desse brasileiro singular que foi Juscelino.

P.S. Textos e imagens acima, Revista Estação Primeira de Mangueira – Carnaval 1981 (fonte: Marcelo O’Reilly/Acadêmia do Samba)

P.S. Áudio do LP: Sambas-de-Enredo das Escolas de Samba do Grupo 1 A Carnaval 81 – LP – Top Tape / áudio formato mp3/128Kbps

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