No Reino da Mãe do Ouro Mangueira, 1976

No Reino da Mãe do Ouro - Mangueira 1976

No Reino da Mãe do Ouro - Mangueira 1976Bandeirantes, quando varavam as matas na procura de ouro e pedras preciosas, ouviram dos índios que, por um castigo do céu, após um trovão gente virou pedra. A Alma, que por ser Alma não morreu, que não sofreu o castigo, é a Mãe do Ouro, guardiã dos veeiros da fortuna.

A lenda da Mãe do Ouro vindo do Prata sofreu a influência Tupi-Guarani identificando-se com a Mãe-Ci e Baitata.

Onde tem fogo tem ouro. Crença de civilizações antigas, atravessando o tempo e o espaço, chegou ao Brasil para se expandir no ciclo do ouro. E os garimpeiros, errantes por seu trabalho e dependentes da sorte, ainda hoje acreditam que para achar riqueza precisam da proteção da Mãe do Ouro, como, também, temem o seu castigo. […]

Samba-Enredo

Autores: Tolito/Rubem

I

Caminhando pela Mata Virgem
Bravo Bandeirante encontrou
Grupos de nativos comentavam
O que um trovão proporcionou
No céu, sem as estrelas
Mais um raio de luz se dirigia
Á gruta de uma alma encantada
Era Mãe do Ouro que surgia

Obaba-ola-o-baba
É a Mãe do Ouro que vem
Nos salvar

II

Num palácio encantado
Onde um tesouro existia
Pedras preciosas bem guardadas
Que a Mãe do Ouro presidia
Homens e mulheres dominados
Por imaginações e alegria
Salões enfeitados
Em multicores
Dançavam até o romper do dia

Obaba-ola-o-baba
É a Mãe do Ouro que vem
Nos salvar

A Mãe do Ouro è a protetora das minas, esconde as jazidas, defende as pepitas e, quando quer, mostra aos protegidos onde encontrar riqueza. Na imaginação popular ela e visualizada em raio que se sepulta na montanha, como uma estrela candente ou em arco-íris que indica o caminho certo aos seus preferidos dando-lhes ouro e pedras preciosas e aos outros sonhos vãos, estes por mais que procurem jamais encontrarão um tesouro.

O Palácio da Mãe do Ouro para alguns fica no subterrâneo, para outros sob os rios. As vezes, ela sai pelas tardes com um cortejo de luzes e quando alguém a vé e faz um pedido é servido, mas se ela chama um homem ele larga tudo para acompanhá-la, indo para o Palácio onde os salões são grutas imensas e coloridas, onde há música, danças e alegria.

A Comissão de Carnaval da Mangueira após escolher o tema ‘No Reino da Mãe do Ouro‘ fez, por carta, contacto com Luiz da Câmara Canudo solicitando dados para o desenvolvimento do enredo. O folclorista, em resposta, afirmou ter resumido, nos trechos essenciais e bibliográficos, MÃE DO OURO no Dicionário do Folclore Brasileiro, tomo 2°, INL, 1972. Assim, o desenvolvimento do enredo teve por base o consagrado dicionário e a Geografia dos Mitos Brasileiros, obras de Luiz da Câmara Cascudo.

A Mangueira, retornando à Praça XI, ao som de sua bateria, envia um saravá ao mestre Cascudo e pede passagem para ao povo apresentar “NO REINO DA MÃE DO OURO”.

P.S. Textos e imagens acima, Revista Estação Primeira de Mangueira – Carnaval 1976 (fonte: Marcelo O’Reilly/Acadêmia do Samba)

P.S. áudio do LP: Sambas de Enredo das Escolas de Samba do Grupo 1 Carnaval 1976 – Gravações Originais LP – AESCRJ – Top Tape / áudio formato mp3/128Kbps

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