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Moacyr Luz e Samba do Trabalhador – 10 Anos & Outros Sambas – 2015

31 mar, 2017 | Álbuns

No mês em que completa dez anos, o Samba do Trabalhador volta a fazer história lançando seu terceiro CD. É a primeira vez que uma roda de samba grava um disco com músicas autorais e inéditas. O álbum “MOACYR LUZ & SAMBA DO TRABALHADOR – 10 ANOS & OUTROS SAMBAS” tem 12 faixas, sendo que nove nunca haviam sido gravadas. Moa é autor ou coautor de 11 das 12 músicas além de ser o produtor do CD (lançado pela Gravadora Ritmiza).

É um álbum que faz o ouvinte se sentir colado à roda, como se estivesse sob a sombra da caramboleira do Renascença Clube, pertinho dos músicos. E os cantores do grupo se revezam ao microfone, como é feito toda segunda. O disco traz músicas que dão melodia ao sincretismo religioso tão presente no samba e na vida de uns brasileiros, fala da boemia e de temas atuais, como a violência. Tem homenagem à Dona Ivone Lara, canta a esperança e o amor, tema que sempre caminhou com o gênero musical.

Neste CD, o Samba do Trabalhador reforça sua identidade, misturando as receitas dos dois discos anteriores.

Daniel Brunet

Lançado no mês de maio de 2015, o CD “10 Anos & Outros Sambas” festeja a primeira década de vida do Samba do Trabalhador, roda inaugurada pelo compositor carioca Moacyr Luz em 29 de maio de 2005, no Clube Renascença, no Andaraí, bairro da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, reduto dos melhores pagodes. Luz abre a roda toda segunda-feira, ao lado de sambistas como Álvaro Santos e Junior de Oliveira.

Ao longo desses 10 anos, o Samba do Trabalhador vem ocupando o lugar crucial que foi da quadra do Cacique de Ramos na década de 1980. Evento que aglutina sambistas e público disposto a ouvir novos sambas, o Samba do Trabalhador vem promovendo a renovação do repertório cantado nos pagodes cariocas.

Terceiro produto fonográfico da roda comandada por Moacyr Luz, o CD “10 Anos & Outros Sambas” – gravado em estúdio com o revezamento da voz de Luz e dos compositores mais significativos da roda – é a prova de que o melhor samba continua brotando nos quintais do Rio, como nos tempos áureos do Cacique. Até porque o diferencial deste disco, em relação aos outros dois registros fonográficos do evento, reside no ineditismo da maior parte do repertório autoral.

Dos 12 sambas alinhados no disco, nove são inéditos. Onze têm a assinatura de Luz, geralmente na coautoria (a exceção é “Se Parasse de Chover“, parceria de Mingo Silva – o mais novo integrante do Samba do Trabalhador – com Anderson Balaco). A safra inédita é de boa qualidade. E os três grandes sambas já previamente gravados – “Anjo Vagabundo” (Moacyr Luz e Luiz Carlos da Vila, 1997), “Samba de Fato” (Moacyr Luz e Paulo César Pinheiro, 1998) e “No Compasso do Samba” (Sereno e Moacyr Luz, 2012), lançados em disco pela cantora Simone Moreno, pelo grupo Mandingueiro e pelo grupo Dose Certa, respectivamente – se afinam com a ideologia e a cadência da roda, rezando pela mesma cartilha. Aliás, um dos maiores destaques da safra inédita é “A Reza do Samba” (Gustavo Clarão e Moacyr Luz), do poderoso refrão:

“Segunda-feira é das almas
É bom também de sambar
Tem uma vela pro santo
A outra é pra vadiar”.

“A Reza do Samba” exalta o próprio evento que inspirou o disco e a criação da composição. A propósito, parte do repertório cultua o próprio samba e o orgulho de ser sambista. Exemplo é “Cria do Samba” (Álvaro Santos, Mingo Silva e Moacyr Luz), outro trunfo da safra. Único samba assinado somente por Luz, “Camarão Vegê” tem seu delicioso sabor realçado pelo acordeom de Bebe Kramer, músico convidado da faixa. Já “Toda a Hora” (Toninho Geraes e Moacyr Luz) ergue brinde à bebida e ao espírito da boêmia que rege as rodas de samba. Em tom mais sagrado, o belo samba “Joia Rara” exalta a realeza de Dona Ivone Lara com o toque da gaita de Rildo Hora, reiterando a maestria da parceria de Sereno com Moacyr Luz.

Enfim, em seu primeiro disco de repertório inédito, o Samba do Trabalhador propaga a ideologia e os valores nobres do samba, com fé nos tambores, de peito e coração abertos. E que venham mais dez anos, pois o samba desses trabalhadores é de primeira.

Mauro Ferreira

01. A REZA DO SAMBA [Gusttavo Clarão | Moacyr Luz]

02. AMOR, O DONO DO MEU CAMINHO [Sereno | Moacyr Luz]_Part.Especial Allan Abbadia (Trombone)

03. CRIA DO SAMBA [Alvaro Santos | Mingo Silva | Moacyr Luz]

04. CAMARÃO VEGÊ [Moacyr Luz]_Part.Especial Bebe Kramer (Acordeon)

05. NA VASELINA [Moacyr Luz | Nei Lopes]_Part.Especial Allan Abbadia (Trombone)

06. SE PARASSE DE CHOVER [Mingo Silva | Anderson Baiaco]

07. JÓIA RARA [Sereno | Moacyr Luz]_Part.Especial Rildo Hora (Gaita)

08. SAMBA DE FATO [Moacyr Luz | Paulo César Pinheiro]

09. ANJO VAGABUNDO [Moacyr Luz | Luiz Carlos da Vila]

10. TODA A HORA [Toninho Geraes | Moacyr Luz]

11. VAI QUE VAI [Moacyr Luz | João Martins]

12. NO COMPASSO DO SAMBA [Sereno | Moacyr Luz]_Part.Especial Carlos Malta (Sax Soprano)

FICHA TÉCNICA
IDEALIZAÇÃO E PRODUÇÃO MUSICAL: MOACYR LUZ
PRODUÇÃO FONOGRÁFICA: RITMIZA PRODUÇÕES
PRODUÇÃO EXECUTIVA: NANO RIBEIRO E MAURY CATTERMOL
ARRANJOS DE BASE: MOACYR LUZ E GABRIEL CAVALCANTE
FOTOGRAFIA: TYNO CRUZ NO RENASCENÇA CLUBE (RJ) E MAURY CATTERMOL NO PIRAJÁ (SP)
PROJETO GRÁFICO: CLICART STUDIO
DESIGNER: MAURY CATTERMOL
MASTERIZAÇÃO: PAULO JEVEAUX
PATROCÍNIO E APOIO CULTURAL: PIRAJÁ | APOIO: CLICART STUDIO

GRAVADO EM JANEIRO DE 2015 NOS STUDIOS CIA. DOS TÉCNICOS
POR WILLIAM LUNA E ARTHUR LUNA
EDIÇÃO DIGITAL POR DANIEL ALCOFORADO
MIXADO POR WILLIAM LUNA
ASSISTIDOS POR MAGRÃO, LEO CARVALHO E PEDRO 51

MÚSICOS FAIXA-A-FAIXA
MOACYR LUZ: VOZ E VIOLÃO
DANIEL NEVES: VIOLÃO 7 CORDAS
GABRIEL CAVALCANTE. VOZ E CAVAQUINHO
ALEXANDRE NUNES: VOZ E CAVAQUINHO
ALVARO SANTOS: VOZ E PERCUSSÃO
MINGO SILVA: VOZ E PERCUSSÃO
LUIZ AUGUSTO: PERCUSSÃO
JUNIOR DE OLIVEIRA: PERCUSSÃO
NILSON VISUAL: PERCUSSÃO

PART. ESPECIAIS
ALLAN ABBADIA: TOMBONE (02) (05)
BEBE KRAMER: ACORDEON (04)
RILDO HORA: GAITA (07)
CARLOS MALTA: SAX SOPRANO (12)

A MEU PRIMEIRO AGRADECIMENTO É PROS MÚSICOS DO GRUPO, ESSA FAMÍLIA SAMBA DO TRABALHADOR, JUNTOS NA CAMINHADA. UM ESPECIAL DESTAQUE AOS NOSSOS PRÓXIMOS NO RENASCENÇA. DESDE O QUERIDO FERRAZ, EVANGELISTA, DANIEL SILVA, CHICO, PACHECO, TELES, PASSANDO PELA TÉCNICA DE MARRETA E JUAN, GUERREIROS NA RETAGUARDA NANO, MAURY E JACQUELINE MARTINS, JILÓ, SERGINHO E FOLY, ARTISTAS FUNDAMENTAIS SEMPRE GENEROSOS COM SUAS PARTICIPAÇÕES, TERESA CRISTINA, TONINHA GERAES, ADALTO MAGALHA, MARCELINHO MOREIRA, DUNGA, WANDERLEY MONTEIRO, DORINA, TANTOS, E O IMORTAL EFSON. CLARO, INSTRUMENTISTAS DE RAROS SONS, GABRIEL GROSSI, NICOLAS KRASSIK, E OS SOLOS, GRAVADOS AQUI NO DISCO, RILDO HORA. ALAN ABISSAIS, BEBE KRAMER E CARLOS MALTA. AGRADECIMENTO NOS BASTIDORES POR GERMANO FEHR, JOÃO CAMARERO E LUCIANE OSCAR, AOS PARCEIROS GUSTAVO CLARÃO, PAULO CESAR PINHEIRO. SERENO, NEI LOPES E JOÃO MARTINS, VERSOS E MELODIAS COSTURANDO ESSA HISTÓRIA. POR FIM, MEUS ETERNOS RICARDO GARRIDO E EDGARD BUENA, DOIS AMIGOS QUE ILUMINAM O MEU CAMINHO FIÉIS NA RESISTÊNCIA, SOL PRA TODA A VIDA.