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Moro Onde Não Mora Ninguém

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Moro Onde Não Mora Ninguém – Agepê, 1975
Continental 1.01.404.117, LP
por.: Marcelo Oliveira / 27 abr, 2017
Categoria(s).: Álbuns

Segundo relato do apresentador e produtor da Rádio Nacional Marcos Durães, o surgimento do grande sucesso deste ano, “Moro Onde Não Mora Ninguém”, de Agepê e Canário, gravado pelo primeiro, surgiu quase por acaso, o que não é de espantar. Conta Marcos Durães que havia acertado com a Continental a produção de um LP com o astrólogo Omar Cardoso e que necessitaria de doze artistas do elenco daquela gravadora, cada um nascido num dos signos do zodíaco. Nesse disco, ou nessa série de discos, não sabemos bem, seriam colocados, além dos artistas, os depoimentos astrológicos referentes a cada signo.

Como se deve supor, era difícil a tarefa do produtor Marcos Durães, pois achar doze intérpretes dentro de um só selo, e que fossem todos de signos diferentes, está mais próximo do milagre do que do impossível. Conseguiu onze, depois de muita seleção, luta e pesquisa. Faltava um e, pelo que poderia ser constatado, nenhum dos valores mais conhecidos poderia ser usado, uma vez que havia muita coincidência de signos entre eles.

Pesquisando as fitas gravadas no Rio de Janeiro naquele mês, achou um do signo que faltava. Vai esse mesmo, deve ter dito o produtor, já cansado. Acontece que a gravação do cantor do único signo que faltava ser preenchido na lista de doze de Omar Cardoso era longa demais. Tinha uma introdução enorme e, parece, até uma declamação no seu início.

— Corta a introdução — disse Marcos Durães.
— Vai ficar pequena — disse o operador.
— Corta.
— Pronto.

Estava completo o disco, ou a série de discos, sobre os signos dos artistas. Nem o autor, nem ninguém sabia que o disco havia sido diminuído. Feito o compacto, deu no que deu. O maior sucesso da música brasileira nos últimos anos. Perceberam como a gravação começa sem introdução, nem nada, indo direto ao início da letra? Quanto ao disco, ou discos sobre os signos, nada se sabe. O que resta saber é o signo do Agepé. Deve ser o signo da sorte.

“Vou te contar: histórias de música popular brasileira”
Walter Silva (Conex, 2002)

Essa é a história da música que deu título ao primeiro Compacto (1.15.101.008) e LP (1.01.404.117) lançados por Agepê no ano de 1975 pela Continental. No compacto, duas faixas: “Todo Prosa” e “Moro Onde Não Mora Ninguém”, ambas de Agepê/Canário.

LADO A
1. LÁ VEM O TREM
(Agepê-Canádo)
2. JOGUE ALEGRIA EM SUA VIDA
(Mita)
3. JEITO DE TATUAGEM
(Bira-Catoni)
4. MOÇA CRIANÇA
(Agepê-Canário)
5. SETE DOMINGOS
(Agepê-Canário)
6. MORO ONDE NÃO MORA NINGUÉM
(Agepê-Canário)

LADO B
1. A DANÇA DO MEU LUGAR
(Agepê-Canário)
2. DE CORPO E ALMA (A PALHOÇA)
(Vilela-Emegê)
3. MUDANÇA DO VENTO (FUCINHEI)
(Agepê-Canário)
4. CANTO DO ENGENHO VELHO
(Romildo-Toninho)
5. TODO PROSA
(Agepá-Canário)

FICHA ARTÍSTICA:
DIREÇÃO DE CLIMA: Ramalho Neto – dedetizou todos os grilos • ARRANJOS E REG.: Waltel Branco – só na tranquilidade Zé Roberto – na moita, faixas 5A e 6.B • ARRANJOS VOCAIS: Márcio Augusto – dirigiu os gogós da moçada • PAGODEIROS – na batera: Wilson das Neves – esmerilhou • no baixo: Sergio Barroso – balançando • no Violão de 7: Dino – insubstituível • no Violão de Base: Neco tranquilo • no cavaco: Zé Menezes – que responsa Carlinhos – incrível • nos surdos: Gordinho – só swingando • Jorginho – no agudo, de leve • Luna – no grave, sentou pau • Gilson – o rei dos períodos • na cuica: Neném – só no choro, o malandro • no ganzá: Genaro – segurando a peteca • no agogô: Claudionor – de leve, sem machucar • nos Tamborins – Bezerra – gozador, gozador… • Barcelos – deu aquele recado • no réco-réco: Stênio – nas bocas • nos efeitos rítmicos, Chio Batera – pé quente, Wilson Canegal – gente fina • na tumba: Hermes – tá demais • no atabaque: Geraldo – que fôrça! • no repique: Doutor – virando tranquilo • no berimbau: Paulo Batera – de leve, de leve • no piano: Sérgio Carvalho – entrou e acabou • Zé Roberto – sabe das coisas • nas flautas: Celso – fala mansa, sempre na bôa • Jorginho – nos improvisos, arrasou • na gaita: Maurício – que sensibilida de… • no clarinete: Netinho – tremendo som da antiga • nas cordas: João Pinheiro e seus professores – bela turma, ô garoto! • no efeito sonoro de trem – Geraldo José • no gogó: Joab e seu pessoal – é como vinho… • As Gatas – imprescindíveis vozes de lavadeiras • Cláudia Telles de Mello Manos – o colírio e a graça • Márcio Augusto Antonucci – ih! tem italiano no pagode • Deve tá tudo aí. Se faltou, fica por conta do Chá de Macaco, disse?

FICHA TÉCNICA:
PRODUÇÃO FONOGRÁFICA: Discos Continental • DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Ramalho Neto • PRODUÇÃO ARTÍSTICA: Márcio Augusto • COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO: Jorge Corrêa • FOTOS: Mafra • CAPA: Oscar Paolillo e equipe • ILUSTRAÇÃO: Walmir Teixeira da Silva • TÉCNICOS DE GRAVAÇÃO, Luiz Paulo • Celinho • Deraldo • ASSISTENTES DE ESTÚDIO: Iedo • Cadinhos • Luiz Tavares • TÉCNICOS DE MIXAGEM: Celinho • Deraldo • ASSISTENTE TÉCNICO E MONTAGEM: Luiz Tavares • GRAVADO NOS ESTÚDIOS SOM – Rio, na Primavera de 1975.