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Alcione, 1978 – Morte de um Poeta

5 maio, 2017 | Álbuns

De repente, ALCIONE ganhou a rapaziada no grito:
NÃO DEIXE O SAMBA MORRER!!
NÃO DEIXE O SAMBA ACABAR!!
E depois, música por música: O surdo, Etelvina minha nega, Aruandê, Á espera, História de pescador, etc. até quer todo mundo se balançou, pela segunda vez, quando deu de cara com aquele montão de mulata maravilhosa, na foto da capa do disco, e nas apresentações na televisão.

Aí pronto, o caminho estava já aberto ALCIONE acabava de fazer a difícil conquista audiovisual do grande público.

ALCIONE comprou essa briga muito cedo, juntamente com seu pai, JOÃO CARLOS DIAS NAZARETH, mestre da banda de São Luiz do Maranhão, pagodeiro da pesada, com quem ela aprendeu a responsabilidade profissional e a tocar vários instrumentos de sopro: clarinete, sax e pistom.

Aliás, mestre JOÃO CARLOS é autor de Etelvina minha nega do disco anterior, e este MORTE DE UM POETA, vem com um samba maravilhoso, Cajueiro Velho.

ALCIONE sempre correu atrás da bola, pra arrumar um troco, fazendo shows com a banda do pai desde que tinha 12 anos, e já tocando clarinete, até bem pouco tempo atrás, quando comandava seu conjunto, com seu sax, clarinete e pistom arrepiando a moçada, nas principais casas noturnas do Rio e São Paulo.

Hoje, ALCIONE é a concretização de muitos de seus colegas que batalham no mundo musical tentando o sucesso, e que ainda não conseguiram para si, mas vendo realizada nela, ficam felizes torcendo por ela mais ainda, e renovando suas esperanças de um dia chegarem lá. E o velho mestre da banda de São Luiz do Maranhão, JOÃO CARLOS DIAS NAZARETH, é o maior de todos eles, que hoje ao reger sua banda tocando muitas vezes os sucessos criados pela sua própria filha, a vê pequenina, no lugar de sempre, entre os velhos músicos, executando seu clarinete. E uma lágrima, misto de saudade, alegria e realização lhe desce dos olhos. Ele se esquece que esta diante da banda e se vê com ela, em todos os palcos, em todos os shows, eletrizando o público, regendo os velhos músicos, regendo ela: a estrela e a menina; a menina que canta, a estrela que toca, a estrela que canta, a menina que toca; a menina cantando com a banda nos vídeos e palcos; a estrela tocando com a banda nas praças, correto e acompanhando as procissões das festas de São José do Ribamar no Maranhão. E as imagens de ontem e de hoje vão se sucedendo na imaginação do velho mestre, como num doido vídeo-tape, fazendo-o se sentir moço e velho ao mesmo tempo: o primeiro, vendo realizados na filha seus sonhos de moço, sua realidade de velho; e o segundo, vendo realizada na filha sua realidade de velho, seus sonhos de moço.

Nesse segundo disco, MORTE DE UM POETA, não é nem preciso falar das músicas, o público vai cantá-las todas depois. Basta dizer que ALCIONE pinta, não deixando a menor dúvida de que veio para ocupar, cedo e definitivamente, um daqueles melhores lugares que a história da Música Popular Brasileira, só deixa reservado pras suas grandes estrelas.

Adelzon Alves
contracapa do LP

Lado 1

1 – “MORTE DE UM POETA” 3.46
(Totonho-Paulinho Rezende)
arranjo: Chiquito Braga

2 – “AGOLONÔ 4,16
(Ederaldo Gentil-Batatinha)
arranjo: Roberto Santana

3 – “RETALHOS” 3,34
(Paulo Debétio-Paulinho Rezende)
arranjo: Perinho Albuquerque

4 – “CAJUEIRO VELHO” 2,52
(João Carlos)
arranjo: Meirelhes

5 – “TATU. ENGENHEIRO DO METRÔ” 2,49
(Antônio Carlos da Conceição-Bidú)
arranjo: Zé Menezes

6 – “É MELHOR DIZER ADEUS” 2,47
(Mita)
arranjo: Meirelhes
Total 20,04

Lado 2

1 – “CANTO DO MAR” 4,23
(Totonho-Paulinho Rezende)
arranjo: Meirelhes

2 – “LÁ VEM VOCÊ” 3,46
(Totonho-Paulinho Rezende-Zayrinha)
arranjo: Chiquito Braga

3 – “LUA MENINA” 3,14
(Edil Pacheco-Paulinho Diniz)
arrano: Zé Menezes

4– “TRAJE DE PRINCESA” 2,58
(Beto Scala-São Beto)
arranjo: Perinho Albuquerque

5 – “TIÊ” 2,27
(Yvonne Lara-Hélio-Fuleiro)
arranjo: Perinho Albuquerque

6 – “JESUINO GALO DOIDO” 2,50
(Antonio Carlos-Jocafi)
arrano: Zé Menezes
(Trilha Sonora do Filme: Pastores da Noite, de Jorge Amado)
Total: 19,38

FICHA TÉCNICA
Músicos que participaram das gravações:
Violão: CHIQUITO – PERINHO – DINO – JORGE MENEZES / Cavaco: ZÉ MENEZES – CHIQUITO – PIUPIU – NECO / Piano: ANTONIO ADOLFO / Baixo: LUIZÃO – SERGIO BARROSO / Bateria: ENÉAS COSTA – WILSON DAS NEVES – PAULINHO BRAGA / Percurssão: BIRA DA SILVA – DJALMA CORRÊA – CREAM CRAKERS / Coro: PELANKA DO KOJAC – HUGO BOYA / Orquestra de cordas e metais: PHONOGRAM / Direção de produção: ROBERTO SANTANA / Seleção de repertório: ROBERTO MENESCAL – ALCIONE – ROBERTO SANTANA / Assistente de produção: LUCIANO MAIA / Técnico e gravação: ARY CARVALHÃES – PAULINHO CHOCOLATE / Mixagem: ARY CARVALHÃES – ROBERTO SANTANA / Auxiliar de estúdio: JÚLIO MANCHA NEGRA / Capa: ALDO LUIZ / Foto: LUIZ GARRIDO / Estúdio: PHONOGRAM 16 canais / Montagem: JAIRO GUALBERTO / Corte: LUIGI HOFFER