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Ismael Silva, 1955 – O Samba na Voz do Sambista

31 mar, 2017 | Álbuns

Em 1924, numa noite quente do bairro do Estácio, um rapazinho escuro e cheio de bossa, viu parar a porta do café onde fazia ponto, um carro do qual desceu um cantor chamado Francisco Alves. Chico vinha saber de um tal Ismael Silva, a quem seu amigo Alcebíades Barcelos adquirira a seu pedido, três meses antes, num hospital, o samba “Não Me Faz Carinho”. Chico tinha sentido a qualidade do material, e queria mais. Contada assim a coisa pode não parecer nada, mas trata-se de um dos encontros mais importantes na história da música popular carioca.

De madrugada, quando se largaram, já na Lapa, tinha nascido a dupla famosa, ou melhor, a trinca famosa — pois Ismael fez questão que seu amigo Newton Bastos entrasse na parceria. Dessa trinca nasceram alguns dos maiores sucessos carnavalescos de todos os tempos, como “Amor De Malandro’, “Se Você Jurar”, “Nem É Bom Falar”, “Novo Amor”, “Não Há”, etc…. Ismael e Newton faziam os sambas, Chico cantava como só ele sabia cantar.

O escurinho de boa pinta que o grande seresteiro fora desentocar no Estácio não era, porém, um nome desconhecido entre seus pares. Fundador da escola de samba “Deixa Falar”, do seu querido bairro (a primeira existente), aos dezesseis anos já tinha suas músicas cantadas no local. Nascido em Jurujuba, em 1905, mudou-se ainda menino para o Rio, ou melhor, para o Estácio, onde cresceu e desenvolveu seu estro popular e sua extraordinária musicalidade, que o tornam um dos três maiores melodistas do samba carioca. A maciez de sua linha melódica é perfeita, e seu samba adquire por vezes a gravidade e pungência do canto-chão

Quando morreu seu parceiro e amigo querido, Newton Bastos, Noel Rosa veio muito justamente ocupar a grande vaga. Para o amigo desaparecido escreveram juntos o imortal “Adeus”, e outros sucessos como “Para Me Livrar Do Mal”, “Quem Não Quer Sou Eu”, “Bôa Viagem”, etc….A iniciativa da Sinter de lançar, na voz do sambista, uma escolha como a que aqui vai, é da maior importância. Preservada na voz do compositor, seus melhores sambas constituem a mais rica prova de seu mérito e de sua influência no moderno movimento de restituição do samba às suas origens cariocas.

Vinicius de Moraes
contracapa do LP

FACE A

SÍ VOCÊ JURAR
(Ismael Silva-Nilton Bastos-Francisco Alves)

ME DIGA TEU NOME
(Ismael Silva)

ADEUS
(Ismael Silva-Francisco Alves-Noel Rosa)

QUE SERÁ DE MIM
(Ismael Silva-Nilton Bastos-Francisco Alves)

FACE B

PARA ME LIVRAR DO MAL
(Ismael Silva-Noel Rosa)

SOFRER É DA VIDA
(Ismael Silva-Nilton Bastos-Francisco Alves)

NOVO AMOR
(Ismael Silva)

NEM É BOM FALAR
(Ismael Silva-Nilton Bastos-Francisco Alves)

Este LP foi gravado em novembro de 1955.
Engenheiro de Som: Armando Dulcetti.
Gravador: Roberto Castro