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Os Originais do Samba, o que falar dessa rapaziada? Formaram o grupo no Rio de Janeiro na década de 60 e no começo se chamavam “Os Sete Modernos do Samba”. Chamaram a atenção se apresentando nos palcos e teatros com o show “O Teu Cabelo Não Nega”. Em 1969 gravaram as primeiras bolachas intituladas Os Originais do Samba volumes I e II, pelo selo RCA. Além de excursionarem pelo México, EUA e Europa , foi o primeiro grupo de samba a se apresentar na famosa casa de shows Olympia em Paris. Acompanharam muitos artistas, tais como Elis Regina, Jair Rodrigues e Vinicius de Moraes.

Essa bolacha “A Malandragem Entrou Em Greve” foi lançada pela gravadora Copacabana em 1987.

O disco já revoluciona na capa, onde os integrantes estão num chão batido de uma favela. Mussum o integrante mais famoso, já não fazia parte do conjunto, tinha lançado dois LPS solos e fazia parte da trupe “Os Trapalhões na Rede Globo”. No final da década de 70 o cantor e compositor Almir Guineto também fez parte dos Originais tocando cavaco. Outro que fez parte da formação foi o cantor Branca Di Neve grande suingueiro que gravou dois LPs antológicos.

A música que dá título ao LP é uma letra hilária, com gírias que fala de uma tal greve da malandragem. Onde os malandros são acordados as “nove horas madruga” em seus barracos e são convocados a adesão da tal greve. E dentre as reivindicações estão pedidos como: Camburão com novo estofado, ar condicionado e janela de frente.

A maioria das músicas de destaque são de letras humorísticas. Tem a “Jogo Numerado” que fala sobre o jogo do bicho, essa uma regravação do próprio Originais, pois a música saiu no LP “Em Verso e Prosa” de 1976. Outras faixas como “Sanduíche de Artista“, “O ganso” e “Esqueleto Folgado” seguem essa mesma linha.

Na música “Sinal de Vida” se repararem bem há um pequeno plágio melódico com a música “O Sonho Não Se Acabou“, resta saber quem compôs primeiro Luiz Carlos da Vila ou Dedé Paraíso (acredito numa mera coincidência).

A MALANDRAGEM ENTROU EM GREVE - Os Originais do Samba, 1987 (Copacabana ‎– 12897, LP)

Os arranjos de vozes são as peculiares do grupo, ora cantando juntos, ora com a deixa para um cantor solo fazer a sua parte. Há o uso de teclados e bateria, mas quem fala alto é o cavaco e a percussão. Enfim é um disco clássico que nos remete a década de 80, saudoso e bom de ouvir. Principalmente sendo um trabalho dos Originais do Samba , conjunto de respeito. Eles ficaram fora dos holofotes, devido a mortes de alguns integrantes, saídas de outros, novas formações, enfim coisas da vida. Mas o legado que ficou para a música é um vasto e interessante material. Só pelos sucessos gravados em outros trabalhos, se vê que os caras eram bons mesmo. A maioria das pessoas já deve ter ouvido músicas como; “Esperanças Perdidas“, “A Dona do Primeiro Andar“, “Do Lado Direito da Rua Direita“, “Falador Passa Mal“, “Subida do Morro“, “Tenha Fé Pois Amanhã Um Lindo Dia Vai Nascer“, “Buchicho“, “Vou Me Pirulitar“, “Cadê Tereza“, “Tragédia no Fundo do Mar“, “E Lá Se Vão Meus Anéis“, “É Preciso Cantar” …

Marcelo S. Costa

FAIXAS

(Copacabana ‎– 12897, LP)

LADO A

VOLTA CORAÇÃO
(Clovis de Lima/Leo Machado)

A MALANDRAGEM ENTROU EM GREVE
(Bráulio de Castro/Jorge Belizário)

BRASIL CABOCLO
(Bedeu/Antônio Carlos)
Participação Especial: BEDEU

O GANSO
(Maurinho da Mazzei/Araújo Gilho/L. Stippe/Faga)

BATE, MACHUCA O “VÉIO”
(Criolo Doido)

SINAL DE VIDA
(Dedé Paraízo)

 

LADO B

RITMISTA
(Dicró/ Gracia do Salgueiro)
Participação Especial: JAIR RODRIGUES

GAIVOTA
(Marquinho Saco Cheio)

ESQUELETO FOLGADO
(Maurinho da Mazzei/Joãozinho Carnavalesco)

FALSOS BACANAS
(Maurinho da Mazzei/Araújo Gilho/L. Stippe/Faga)

JOGO NUMERADO
(José Roberto/ Carlos Alberto)

SANDUÍCHE DE ARTISTAS
(Claudio Fontana)