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Joaquim Ferreira dos Santos, então responsável pela seção Música, da Revista Veja, na edição de 27.07.1983 (há 20 anos)
sob um correto “Diário do Morro” e um subtítulo, pouco correto, o “cantor dos bandidos” Bezerra da Silva, saudou o 11º LP de Bezerra da Silva, Produto do Morro, como uma “impagável seleção de sambas-crônicas sobre a filosofia, personagens e costumes desse que conhece como poucos”.

Dizia que “desde Moreira da Silva não surgia um sambista que soubesse retratar com tanto humor e malícia vida nos morros e subúrbios cariocas”.

Bezerra da Silva, então com 47 anos, “tem a vantagem de uma grande vivência com os malandros da cidade”. “Preso várias vezes por vadiagem, Bezerra visitou quase todas as delegacias da Zona Sul (do Rio) e reconhece no escuro o perigoso caminho que leva às mais escondidas biroscas dos morros”.

Tarik de Souza, no Jornal do Brasil, de 23.04.1986, escreveu um belo texto comparado sobre Moreira da Silva e Bezerra da Silva, sob o titulo: “Conversa de bambas, o confronto dos malandros”, apontando Moreira e Bezerra como “dois autênticos representantes da malandragem carioca”. O pretexto foi o lançamento do LP de Bezerra, “Alô Malandragem, Maloca O Flagrante”, com o que rotula de “condimentados sambandidos”.

As conclusões sobre “uns e outros”.

Capa do LP: Produto Do Morro - Bezerra da Silva, 1983“Moreira pega leve, como os de sua geração. Vigora o paco, célebre conto do vigário, o sonho com o milhar do bicho, o amigo urso que pede emprestado e não devolve. No máximo esvai-se em sangue, em slow motion humorístico, o vagulino de Na Subida do Morro, aquele que “bateu numa mulher que não era sua” e acabou esfaqueado anatomicamente – “Duodeno, vesícula biliar, faço-lhe uma tubagem” – Protesto no máximo contra a inadimplência dos devedores do BNH (Inadimplente).

Bezerra pega pesado. Tiros, sierenes de polícia, profissão de cadáveres e muita picardia saem de seu disco. Os dedos-duros, Línguas de Tamanduá, são impiedosamente vergastados, assim como os otários e corujões (curioso alcagüete).”

FAIXAS

(RCA Vik 109.0118, LP)

A1. Pai Véio 171
(Luiz Moreno / Geraldo Gomes)

A2. Fui Obrigado A Chorar
(1000 tinho / Tião Miranda / Roxinho)

A3. Lei Do Morro
(Ney Silva / Paulinho Corrêa / Trambique)

A4. Eu Não Tenho Culpa
(Joel Silva / Sergio Fernandes)

A5. Nunca Vi Ninguém Dar Dois Em Nada
(caboré / Pinga / Menilson)

A6. Produto Do Morro
(Eliezer da Ponte / Walter Coragem)

B1. Minha Sogra Parece Sapatão
(1000 tinho / Tião Miranda / Roxinho)

B2. Todo Errado
(Athayde Lucena / Nelson Cebola)

B3. É Rabo De Saia
(Luiz Carlos da Varginha / Valdir dos Pagodes)

B4. O Preço Da Glória
(Caboré / Pinga / Jorge Portela)

B5. Vou Lhe Dar Uma Colher
(Carnaval)

B6. Empregado Do Mar
(Deja)