Chão da Mangueira Xangô da Mangueira 1976, LP - Tapecar

Chão da Mangueira - Xangô da Mangueira 1976, LP - Tapecar

Chão da Mangueira - Xangô da Mangueira 1976, LP - TapecarQuem é do samba tem que ficar sabendo e quem não é, tem que se ligar e ninguém melhor que Xangô da Mangueira para ensinar a arte do samba puro.

OLIVÉRIO FERREIRA (XANGÔ), nasceu no Estácio, terra de bamba e de samba, no ano de 1923. Sei pai paulista, e sua mãe mineira, eram descendentes diretos de negro da Nação Bantu. Pisar no chão do Estácio, dá bastante ginga para qualquer um e, evidentemente, o menino Xangô já nasceu com vantagem. Ainda muito pequeno foi residir numa cidadezinha do interior do estado, e lá conheceu, brincou e respeitou o jongo e os jongueiros. Ainda na sua adolescência pisou nas terras de Madureira, Oswaldo Cruz e adjacência.

Naquela zona suburbana, o nosso rapaz sacou a jogada dos pagodeiros e dos professores das escolas de samba. Aluno aplicado, aprendeu e ampliou seus conhecimentos na Unidos de Rocha Mirada, União de Madureira, Portela e Lira do Amor. O estágio nos subúrbios da Central e da Linha Auxiliar, foi bastante proveitoso. […]

As rodas de batucadas, na Praça Onze, nos dias de carnaval e no terreiro da Igreja da Penha no mês de outubro, sempre foram frequentadas por Xangô. Os batuqueiros e as pastoras abriam a roda, batiam palmas e cantavam o refrão do partido e a voz forte do pagodeiro, improvisava os versos cheios de remandiola. Os bambas das mais variadas camadas do samba puro, cantavam e aclamavam em alto o nome de Xangô.

Sua fama correu chão e o samba de Mangueira falou mais alto no coração do nosso herói. Na verde e rosa com os ensinamentos do velho Marcelino e Cartola, tornou-se bacharel do samba. Um dia Cartola cansou e para descansar passou o bastão de diretor de harmonia para Xangô, isto aconteceu há 26 anos passados, o homem já sabia de tudo em relação a matéria.

Várias modificações foram e estão sendo introduzidas pelo mestre da harmonia, na Mangueira, a velha escola que antigamente desfilava em fila indiana passou a desfilar em blocos, dando uma nova visão ao espectador. Criou a ala de passistas que se destacou pela individualidade de seus componentes e orientou a nova formação das baianas.

Da quadra da Mangueira para a passarela do desfile o caminho já era conhecido pelo velho partideiro. Os palcos requisitavam a presença de Xangô, os teatros e as boates do Rio, São Paulo, Minas Gerais e outros estados se iluminaram para receber o bom sambista.

Sua fama chegou até o exterior e o homem viajou e se apresentou em várias capitais da América do Sul e da Europa, levando seus títulos e sua sabedoria, alegrando ao mais exigente público. “Magnífico do Samba”, “Cidadão Samba” e este ano “Rei do Samba”, são alguns dos títulos que lhe foram outorgados. O último, por exemplo foi consignado por aclamação.Este disco é o mais importante da série que Xangô gravou. Jorge Coutinho, conhecendo profundamente as origens musicais do partideiro, esmerou-se na escolha das composições que integram as faixas do LP. E com igual cuidado arregimentou os músicos.

Isso Não São Horas’ é um partido alto com Catone da Portela, gravado ao vivo, mantém todo o clima dos festejos do mês de outubro na Igreja da Penha ou do ambiente da roda de batucada da Praça XI, dos anos vinte até cinquenta. Zagaia, Catone e Xangô improvisam os versos; Rogério e Pimpolho cruzam os pandeiros; as mineiras Mati e Malu e a descendente de jongueiro Ivone Lara, cantam em coro o refrão e o Conjunto Exporta Samba, segura o ritmo e a harmonia.

Participaram das outras faixas do disco, Agostinho Silva no acordeon bem acalangado; Caboclinho no atabaque araizado; Bezerra da Silva na tumbadora cheio de balanço; Cabelinho no tamborim malicioso e Pedro Sorongo detalhou Festa de Santo Antônio de Ivone Lara.

Nestes 53 anos, durante toda a sua trajetória, emanando as raízes quase perdidas do partido alto, calango e jongo, XANGÔ CHÃO DA MANGUEIRA, transmite toda a sua vivência.

Ruben Confete

Chão da Mangueira - Xangô da Mangueira 1976, LP - Tapecar

FAIXAS:

A1. Mineiro, Mineiro
Rubens da Mangueira/Ivan Carlos

A2. Você Não é Não
Alcides da Portela/Xangô da Mangueira

A3. A Gente com Briga Não Chega Lá
Catoni/Durval/Neoci/Jabolô

A4. O Pagode Levanta a Poeira
Jorge Zagaia/Xangô da Mangueira

A5. Amaralina
Xangô da Mangueira/Waldomiro do Candomblé

A6. Festa de Santo Antônio
Yvonne Lara


B1. Catimbó
Xangô da Mangueira/Waldomiro do Candomblé

B2. Porquê Você Não Foi
Babaú da Mangueira

B3. Viola de Pinho
Geraldo Babão

B4. Harmonia Bonita
Xangô da Mangueira

B5. E Cantador
Xangô da Mangueira/Baianinho

B6. Isso Não São Horas
Catoni/Xangô da Mangueira
p/ Catoni/Jorge Zagaia

Fontes:

  • Texto: Contracapa do LP;
  • Áudios: Chão da Mangueira – Xangô da Mangueira 1976, LP – Tapecar TC.097 / Formato mp3/320Kbps;

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